Cabra-cega
Carlos Nascimento Silva
Romance 252 páginas
Prêmio Jabuti 99 - Melhor Romance e Melhor Livro do Ano/Ficção
14 x 21cm
Consagrado em 1995 com a publicação de A Casa da Palma, seu primeiro romance, Carlos Nascimento Silva escapa da síndrome do segundo livro e, em Cabra-cega, não repete as soluções do livro anterior, deixando de lado a tentação da fórmula do sucesso.
O novo romance transcorre entre o dia 15 de julho de 1964 e o início do século XXI. Tudo começa com a participação involuntária de quatro pessoas, em lugares diferentes nos Estados Unidos e no Brasil, da cena de um assassinato. Sem saber que estiveram ligados extra-sensorialmente, John Inward Jr, Marcella, Ronaldo e Tangjo vivem suas vidas ao longo dos últimos quarenta anos do segundo milênio como se fossem...cabras-cegas. Trabalhando com esta alegoria, o autor defronta as suas personagens com as estonteantes novidades do final do milênio: a consciência aguda da passagem do tempo, o sentido de urgência e o seu efeito psicológico. A possibilidade da comunicação extra-sensorial serve como paradigma para a aceleração das possibilidades comunicacionais que o mundo vem experimentando. Assim, os personagens deste vertiginoso jogo substituem uma venda negra por outra e, quanto mais vêem, menos enxergam. Pouco importa a velocidade proporcionada pelos engenhos como os computadores e os sistemas como a Internet. As personagens, desorientadas, sabem que o século XXI já começou, mas as suas expectativas são sempre frustradas.
Escrito com o mesmo apuro do seu romance anterior, Cabra-cega é um livro original que questiona a própria literatura e o contexto em que ela é produzida. Por isso, o leitor verá o romance transcorrer entre epígrafes extraídas de músicas populares, livros de filosofia, ensaios, ciências, livros didáticos, folclore infantil, cartas pessoais, coletâneas religiosas, documentos administrativos e tecno-burocráticos, telegramas diplomáticos, poemas, verbetes de dicionários, relatórios secretos, códigos jurídicos e etc. E para culminar, ironizando uma época marcada pelo excesso, o autor entrevista o próprio autor, fazendo o making-off de seu próprio romance.
Carlos Nascimento Silva, 61 anos, nasceu em Minas Gerais e foi criado no Rio de Janeiro. É mestre em literatura brasileira e professor universitário aposentado. Começou a escrever - poemas, pequenos contos e crônicas - aos 14 anos. Admirador de Leon Tolstoi, Thomas Mann, Guimarães Rosa e Machado de Assis, chegou a perder um ano de estudo porque, em vez de ir para o colégio, devorava os livros, escondido na biblioteca de sua avó.
A Casa da Palma (Relume Dumará, 1995) foi premiado pela União Brasileira de Escritores e pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Foi ainda publicado na Alemanha (Das Palmenhaus, Europaverlag, 1998) obtendo grande sucesso de crítica e de público.
Maiores informações com Bárbara Anaissi ou Edmo Suassuna no tel./fax (021)564-6869. E-mail: relume@ism.com.br