Ironias da existência humana
Sergio Gallo
Contos 164 páginas
14 x 21 cm
Resgatando uma tradição que é bem brasileira, a do conto urbano, Sergio Gallo aborda neste delicioso livro as pequenas ironias do cotidiano. Muitas vezes as suas cenas e personagens lembram um quadro de Botero, onde a deformação e o tom das cores funcionam como um retrato irônico da realidade. Com uma obra em construção, Gallo vem recebendo os mais calorosos elogios de seus pares, entre eles Josué Montello, Paulo Amador, Rachel de Queiroz e Gilberto Mendonça Telles, além de Alceu Amoroso Lima e Carlos Drummond de Andrade.
Professor universitário e advogado aposentado, Sergio Gallo não teve uma infância cercada de livros. Seu interesse pela literatura surgiu na adolescência, quando estudava no colégio Pedro II, para conversar melhor com os amigos que sempre citavam autores e obras clássicas. Aos 18 anos escreveu a primeira poesia e aos 22, o primeiro conto – "Complexo de Altamiro" publicado no jornal O Fluminense e reproduzido neste livro. Desde então, não abandonou mais a Literatura Clássica. Considera Montaigne seu "padrinho" nos ensaios e entre seus autores preferidos e maiores influências estão Machado de Assis, Aluízio Azevedo, Manuel Bandeira, Shakespeare, Flaubert, Dostoievski e Platão.
O grande estímulo para a arte de escrever veio de Alceu Amoroso Lima. Nos anos 70, Sergio Gallo resolveu aparecer no escritório de Alceu apresentando-se como um velho aluno levando um presente. Foi muito bem recebido e ganhou um "tio literário de empréstimo", iniciando uma bela amizade. Alceu começou a comentar por escrito os livros de Gallo e resolveu apostar no jovem autor levando seus artigos para serem publicados no Jornal do Brasil. Quando o velho tio morreu, Sergio Gallo publicou no JB um artigo sobre as duas facetas de Alceu Amoroso Lima / Tristão de Athayde que muito comoveu sua família. Para ele ficou a lembrança de um homem sensato, sincero e, acima de tudo, autêntico.
Entre 85 e 98, Gallo participou do Sabadoyle - os saraus literários na casa de Plínio Doyle. Nesta "academia informal" tinha a companhia de Homero Sena, Rachel de Queiroz, Gilberto Mendonça Telles, Josué Montello e Paulo Amador, entre outros. Sendo um dos mais jovens do grupo, era chamado de "o Gallo mais forte" e tinha a responsabilidade de animar e descontrair o ambiente quando as reuniões ficavam muito monótonas.
Nas palavras do autor, Ironias da existência humana é "um painel bem-humorado sobre o comportamento humano, mostrando o drama e a comédia que a vida nos prepara". Esta é uma edição revista e atualizada da publicação de 1982. Gallo retirou seis contos e acrescentou alguns textos mais recentes, entre eles "A perda", escrito em 98.
Sergio Gallo nasceu em Niterói, em 1940. Em 1969, por intermédio do goetheano J. A. Benton, publicou dois poemas no anuário suíço Humbolt. A partir de 1976, pelas mãos de Alceu Amoroso Lima, publicou seus primeiros artigos no Jornal do Brasil. É bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade Federal Fluminense. Nos anos 70/80, lecionou Teoria da Literatura na Universidade Plínio Leite. Dirigiu, com Ary Vasconcellos e Antonio Carlos Villaça, a mesa redonda de Literatura Brasileira da ABI, na década de 80.