Capa Saiba como comprar, clicando aqui e-mail direto para esta editora Conheça alguns dos nossos lançamentos Conheça um pouco mais sobre nós !

Bondfaro
O padre C.
Georges Bataille
Romance   148 páginas
14 x 21cm
Tradução e sugestão editorial: Renato Aguiar


A indagação desassossegada e extremada de Georges Bataille (1897-1962) produziu momentos fortes da literatura e do pensamento filosófico, artístico, psicanalítico e político do nosso século, deixando-nos uma obra que as categorias tradicionais às vezes se embaraçam para abraçar. O leitor de Bataille é constantemente remetido ao campo de uma experiência – ou, mais exatamente, experimentação – existencial na qual se entrelaçam obscenidade (erotismo), busca do êxtase (misticismo) e fascínio da morte.

Considerado por alguns como obra-prima entre as narrativas do autor, O padre C., publicado em 1950, foi objeto, como outros escritos seus, de polêmicas e acusações. A história se desenrola numa França da Segunda Guerra Mundial, entre o padre Robert, que participava da resistência, Charles, seu irmão gêmeo, e Éponime, uma "desavergonhada" da região natal com quem conviveram desde a infância.

Como heroína típica do romance de Bataille, Éponime cumprirá aqui o destino - metáfora da maternidade? - de introduzir os personagens masculinos no mundo do excesso. Ela e Charles, amantes, ardiam que Robert fosse finalmente dela, mas ele - cínico? louco? santo? - só se entrega peculiarmente, encontrando ao final alívio na abjeção e na delação sob tortura dos dois entes queridos: "sofro por meus crimes, mas para deles gozar mais profundamente", disse o padre antes de...

A trama, em que os personagens são levados ao paroxismo das suas possibilidades espirituais e morais, e até das suas forças físicas, os conduz em êxtase ao seu destino universal, numa visão deslumbrante que, se não emancipa o leitor do aspecto inexorável da vida, o faz certamente da tragédia do tédio e da repetição sobre sua condição humana.

Não é difícil perceber nessa obra traços biográficos do autor. Abatido por uma forte depressão em 1928, conseqüência de uma longa crise mística, ele só conseguiu superá-la com o auxílio de um psicanalista, que o incitou a colocar no papel suas fantasias mórbidas. Ex-seminarista, iniciado pouco ortodoxo da ioga, comendador da Legião de Honra, poeta, ensaísta, romancista, animador e colaborador de várias publicações e sociedades de estudo, paradoxal na obra e na vida, Bataille viveu dividido entre a erudição literária e o desregramento sexual.

Mas seria perigoso reduzir a escrita de Bataille a um fim absoluto, ou sua poética e narrativa à simples defesa de teses. O brilho glacial e elíptico do seu texto voluntariamente fragmentado visam certamente explorar o além da norma e do tabu, mas talvez, e sobretudo, um indizível além da palavra... e em termos tais que motivaram o comentário de Heidegger: "Georges Bataille é hoje a melhor cabeça pensante francesa".

Outros títulos do autor publicados no Brasil: O azul do céu (Brasiliense); O erotismo (LP&M); A experiência interior (Ática); A história do olho (Scritta Editorial); A literatura e o mal (LP&M); Minha mãe (Brasiliense); A parte maldita (Imago) e Teoria da religião (Ática).


Relume-Dumará      Destaques      Escreva-nos !      Compra

editoras.com