Lúcia
Gustavo Bernardo
Romance 188 páginas
14 x 21cm
Finalista do Prêmio Jabuti 2000 - Romance
Como em todo romance, um homem encontra uma mulher e acredita que aquele encontro estava marcado para acontecer desde que o criador inventou o mundo. Sendo um romance de iniciação, o encontro acidental será a senha para uma série monumental de novos acidentes ou encontros desencontrados. Então, Paulo encontra Lúcia pela primeira vez, em 1955, no adro da Igreja da Glória, e deixa-se levar pela beleza misteriosa da moça e pelo repicar dos sinos. Já mais adiante, Lúcia surge igual e diferente: antes tinha a pele escura e os olhos verdes, e agora, como sua aluna na faculdade de Letras, Lúcia tem a pele clara e olhos profundamente negros. Cego de paixão, Paulo não acredita no que vê; e perturbado, recorda-se que já tinha visto Lúcia há muitos anos atrás, mas qual das duas, a loura ou a morena? Será que a paixão chega a confundir tanto assim um rapaz tão normal como Paulo Rocha, 27 anos, professor universitário e ex-futuro campeão mundial de xadrez, para quem uma xícara de café com leite pode restaurar a harmonia perdida do mundo? Podia...
Consciente de que está enredado pela paixão, Paulo suspeita que há algo mais do que isso. Como num jogo de xadrez, procura a melhor posição para as suas peças e sabe quando a Rainha corre perigo. E sabe também que precisa recorrer ao seu orientador, o estranho professor José de Alencar, o mesmo que lhe apresentou Lúcia no adro da Igreja da Glória, em 1955. Sentimental, Paulo experimenta as entranhas de um novo mundo a ser descoberto, um admirável mundo novo que tem muito mais a cara de Nelson Rodrigues do que a de José de Alencar. O perigo é iminente e a Rainha (ora a branca, ora a negra) agoniza, enquanto Alencar joga na defesa em meio a delírios de sobrevivente de um outro mundo, os tempos do Império.
Ao fazer uma espécie de clonagem de Lucíola, de José de Alencar, Gustavo Bernardo nos traz um romance que dialoga e amplia com os limites do romantismo. De propósito, a clonagem é imperfeita, como o romantismo. Com esta história, nutrida pelas mais profundas tradições/inovações do romantismo brasileiro, ele faz de Lúcia um livro genial destinado a leitores de todas as idades, mas sobretudo aos jovens que hoje não dispõem de uma leitura moderna que os faça perceber todo o esplendor do romantismo como gênero literário e como escola de vida.
Com o lançamento de Lúcia a Relume Dumará confirma sua tradição de descobrir e publicar autores nacionais de ficção que enriquecem nossa literatura, como fez com A casa da Palma e Cabra-cega, de Carlos Nascimento Silva; Quarto de menina e Meus queridos estranhos, de Livia Garcia-Roza; O experimento de Avelar, de Luiz Eduardo Soares, e Sexameron, de Luiza Lobo, entre outros.
Gustavo Bernardo Krause nasceu em 1955, no Rio de Janeiro. É professor de Literatura no Instituto de Letras da UERJ e publicou Pálpebra (poesia, 1975) e os infanto-juvenis Pedro Pedra (1982), Me nina (1989) e A alma do urso (1999). Como ensaísta, publicou Redação inquieta (1985), Quem pode julgar a primeira pedra? ou: ética e literatura (1993), Cola, sombra da escola (1997), e Educação pelo argumento (1999).