Hannah Arendt / Martin Heidegger – Correspondência 1925-1975
Ursula Ludz
Filosofia 340 páginas
16 x 23 cm
Martin Heidegger e Hannah Arendt foram dois dos maiores filósofos do século XX. Conheceram-se na posição assimétrica de mestre e aluna, em 1924, em Marburg, ele com 35 anos e ela com 18.
Depois do caudaloso encontro, do romance secreto e da paixão exaurida, a cada um restou seguir seu caminho. E foram caminhos bem diferentes, na filosofia e na vida. Arendt, judia, deixou a Alemanha e, após um duro périplo, radicou-se nos Estados Unidos, onde escreveu a maior parte de sua obra. Heidegger aderiu explicitamente aos motes ideológicos nazistas e ao cargo de reitor da Universidade de Freiburg, e mesmo que tenha sido por pouco tempo, tingiu a sua biografia com tintas até hoje ininteligíveis.
Apesar dos graves desencontros na vida ou nas concepções filosóficas, que quando muito causaram períodos de interrupção na correspondência que se estendeu de 1925 a 1975, Hannah Arendt e Martin Heidegger, de maneira inédita, viveram uma fascinante relação de amor e admiração mútuos.
Ler e refletir sobre estas cartas é a possibilidade de se descobrir algo mais daquilo que o amor e a afetação mútua entre duas pessoas pode produzir como acontecimento, para além das meras histórias de "sujeitos psicológicos". Esta correspondência traz, portanto, e como sempre, um velho desafio: o do o que é filosofar.
A correspondência é apresentada em três blocos: "O Olhar", de 1925 a 1933, com 42 cartas de Heidegger e apenas três de Hannah, onde preponderam os arroubos apaixonados, e por vezes patéticos, do mestre da Floresta Negra. Em "O Reencontro do Olhar", de 1950 a 1965, onde se destaca o respeito mútuo entre duas pessoas com um percurso intelectual definido, ainda que Heidegger jamais tivesse reconhecido nestas cartas a grandeza intelectual alcançada pela antiga aluna. O último bloco, "O Outono", mantém o tom de amizade madura e destaca o processo desenvolvido por Hannah Arendt para traduzir e divulgar a obra de Heidegger nos Estados Unidos.
O livro traz ainda um rico apêndice contextualizando e comentando carta a carta, num admirável trabalho feito por Ursula Ludz, a organizadora da correspondência e do livro.