Renato Russo
O trovador solitário
Arthur Dapieve
Biografia 184 páginas
Coleção Perfis do Rio
Co-edição Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura/RioArte e Relume Dumará
13 x 21cm
Quando o carioca Renato Russo morreu, em outubro de 1996, a sua imensa legião de fãs chorou e mobilizou-se em homenagens pelo Brasil adentro. Aqueles que não o conheciam, se surpreenderam com a sua condição de ídolo maior da música jovem e viram uma cobertura de imprensa jamais imaginada: cadernos especiais nos maiores jornais do país e metade do Jornal Nacional, da TV Globo, dedicado à vida e aos funerais do roqueiro líder da Legião Urbana. Porém, o mais espantoso é que, de lá para cá, a idolatria por Renato Russo só faz aumentar, surgindo milhares de novos fãs a cada ano, as FMs tocando suas músicas sem cessar, e a obra registrada em CD (seis da banda e três solo) quebrando sucessivos recordes de vendas. Segundo informações extra-oficiais, seriam até hoje cerca de 12 milhões de discos vendidos em pouco mais de 15 anos!
Ao escolher a frase Urbana Legio omnia vincit como lema da banda que criou na década de 1980, Renato Russo previu o futuro: Legião Urbana a tudo vence. O tempo inclusive. Letras como "Geração Coca-Cola", "Faroeste caboclo", "Índios", entre outras, até hoje estão na ponta da língua de milhares de pessoas. E mesmo os que nunca assistiram um show do grupo, isto é, os mais novos e os mais velhos, já descobriram o trabalho dos legionários.
Arthur Dapieve, jornalista mais do que atento aos movimentos da música jovem e prestigiado colunista do jornal O Globo, acompanhou passo a passo a evolução da Legião Urbana e do seu líder e agora faz um relato fundamental para a compreensão da trajetória deste rapaz tímido, talentoso e polêmico, o irmão mais velho de toda uma geração, que transformou em sucesso tudo que tocou. Momentos importantes, como o tumultuado show realizado em Brasília, em 1988, são narrados com todos os detalhes que só alguém que esteve presente pode dar. Além disso, Renato Russo via Dapieve como profissional confiável, tendo sido o jornalista escolhido quando o músico decidiu falar sobre sua homossexualidade.
Para escrever este Perfil, Arthur Dapieve rebobinou as fitas que registraram as conversas e entrevistas que fez com Renato, e voltou a conversar com todos os que percorreram a mesma estrada, incluindo a família, a banda, os amigos dos anos punk em Brasília, os novos "amigos de infância" conquistados no Rio de Janeiro, além de jornalistas e empresários. O resultado é esta pequena obra-prima, reunindo e encadeando com sensibilidade, informações indispensáveis e muitas vezes inéditas, para que o grande público possa acompanhar, sem clima de fofoca, a tormentosa e brilhante trajetória do artista e agora fenômeno Renato Russo.
O jornalista carioca Arthur Dapieve, 36 anos, é colunista do Segundo Caderno do jornal O Globo e do site NO. e professor de Jornalismo da PUC-RJ. Ele foi repórter, redator, subeditor e editor do Jornal do Brasil (cadernos Idéias e B), da revista Veja Rio e do jornal O Globo (Rio Show; Segundo Caderno, onde há sete anos matém uma coluna; Opinião; O País e retrospectiva O Globo 2000). Anteriormente, ele participou de outros dois projetos envolvendo a Legião Urbana: escreveu o texto publicado na contracapa do encarte do CD Mais do mesmo e assinou o release do disco póstumo Uma Outra Estação. Dapieve publicou outros três livros: BRock - O rock brasileiro dos anos 80 (Editora 34, 1995, 3ª edição), Miúdos metafísicos (Topbooks, 1999, crônicas) e Guia de rock em CD - Uma discoteca básica (com Luiz Henrique Romanholi, Jorge Zahar Editor, 2000).