Rebeldes sem causa
Muito mais que um romancista ou
crítico social, Tom Wolfe marcou a cultura americana por dar os
contornos mais nítidos do chamado Novo Jornalismo - o jornalismo de
invenção que adicionou elementos de literatura e ficção aos fatos.
Seu estilo deu origem à livros inesquecíveis como Os eleitos, A
palavra pintada e, especialmente, o mega-sucesso Fogueira das
Vaidades, a visão mais ácida da era yuppie. "Pessoas sugerem
que A Fogueira das vaidades é jornalismo. E é claro que é",
afirmou o escritor na época do lançamento. "Numa época
bizarra e selvagem como essa, é obrigatório trabalhar como um
jornalista: sair à rua e ver o mundo maluco que criamos".
A
editora Rocco dá mais um passo na publicação da obra de Tom
Wolfe no Brasil com o lançamento de Radical chique & o terror
dos RPs, publicado originalmente em 1970. Wolfe escreveu esse livro
no auge da badalação do Poder Negro, o movimento de valorização
da cultura afro-americana surgido na seqüência da luta pelos direitos
civis dos negros. Mas ao contrário do ideário pacífico e cristão de
Martin Luther King, o Poder Negro projetava-se pelo radicalismo, pelo
lado religioso do islamismo simbolizado por Malcolm X, e pela atuação
política do partido dos Panteras Negras.
São esses e outros
rebeldes sem pausa (trabalhadores chicanos, ambientalistas) que
fizeram a cabeça dos novos chiques nova-iorquinos. E Tom Wolfe
retrata com riqueza de detalhes os hábitos, bens e pronúncias desses
radicais chiques - os recém-chegados à sociedade, que emergiram da
nova indústria de fazer dinheiro dos anos 60: a mídia.
Veja
aqui um resumo dos movimentos políticos citados no livro:
Partido dos Panteras Negras: organização política fundada em 1966
em Oakland, Califórnia, por Bobby G. Seale e Huey P. Newton, tendo
como propagandista Eldridge Cleaver. Criada originalmente como uma
organização de defesa dos direitos dos negros, os Panteras acabaram
pregando o uso de armas.
No seu auge, em 1968, o grupo já
contava com 5000 filiados, o que despertou uma campanha de
reação do governo americano, que gerou prisões por suspeitas de
terrorismo. Um conflito envolvendo os Panteras e a polícia de
Chicago (1969) , que resultou na morte de dos líderes do partido foi
apenas um dos muitos tumultos que se seguiram até 1972, quando o
partido se dissolveu.
A rebelião Mau Mau: revolta contra o
controle britânico no Quênia iniciada em 1952. Cansada de ter suas
reivindicações ignoradas a comunidade africana, especialmente a
sociedade secreta Mau Mau, pertencente ao grupo tribal Kikuyu,
partiu para ações violentas contra europeus e africanos desleais. A
revolta durou três anos gerou a morte de 11 mil rebeldes, 100
europeus e o confinamento de 80.000 pessoas em campos de
detenção. Jomo Kenyatta, líder da União Queniana, principal partido
político africano no país, foi condenado a sete anos de prisão,
suspeito de organizar os Mau Mau. Apesar de fracassada, a revolta
foi o principal impulsionador da independência do Quênia.
Conheça alguns dos líderes negros americanos:
Stockley
Carmichael - dirigente do SNCC (Student Non-violent Coordinating
Commitee), foi preso diversas vezes em manifestações. É autor do
livro Black Power em parceria de Charles V. Hamilton.
Eldridge Cleaver - Um dos principais dirigentes dos Panteras Negras e
ensaísta sobre temas da cultura negra. Autor de Soul on Ice.
Malcolm X - Malcolm Little foi o mais carismático líder do
Muçulmanos Negros até romper com o movimento em 1964. Seu
discurso radical sofreu um grande mudança depois de suas visitas à
África. Foi assassinado em 21 de fevereiro de 1965.
Martin
Luther King - Mais influente líder negro americano. Sua fama
começou com o lendário boicote dos ônibus na cidade de
Montgomery, Alabama, entre 1955-56. Ele esteve presente em
diversas manifestações e encontrou-se com todos os presidentes
americanos do seu tempo. Em 1964 ele recebeu o prêmio Nobel da
Paz. Foi assassinado em 4 de abril de 1968.
Perfil
Foi a partir de uma matéria sobre uma exposição de
carros personalizados na Carolina do Norte, publicada na revista
Esquire em 1965, que surgiu o new journalism. O estilo criado por Tom
Wolfe, rompeu com os manuais de redação para narrar histórias na
primeira pessoa onde qualquer coisa que possa significar status (um
isqueiro, um sofá, um penteado) é dissecado em seu aspecto, textura
e preço.
Do autor a Rocco já publicou A Fogueira das vaidades
(levado ao cinema por Brian de Palma), Da Bauhaus ao nosso caos,
O teste do ácido do refresco elétrico e Os eleitos.
www
Aqui está uma lista de endereços da Internet para a
sua pesquisa:
Trecho Real Audio de uma palestra de Tom
Wolfe
http://www.msu.edu/lecture/wolfe.html
Transcrições de comentários de Tom Wolfe no
projeto Video McLuhan http://www.videomcluhan.com/
Resenha de Fogueira das vaidades (The Bonfire of the Vanities)
http://www.xs4all.nl/~nexus/foss/tom
Resenha de O teste do ácido do refresco elétrico
(The Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby)
http://www.jayi.com/Fishnet/Edge/Mar_Apr_96/wolfe.html