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Radical Chique e o terror dos RPs
Tom Wolfe
Crônicas   128 páginas
Tradução de Lia Wyler


Rebeldes sem causa

Muito mais que um romancista ou crítico social, Tom Wolfe marcou a cultura americana por dar os contornos mais nítidos do chamado Novo Jornalismo - o jornalismo de invenção que adicionou elementos de literatura e ficção aos fatos. Seu estilo deu origem à livros inesquecíveis como Os eleitos, A palavra pintada e, especialmente, o mega-sucesso Fogueira das Vaidades, a visão mais ácida da era yuppie. "Pessoas sugerem que A Fogueira das vaidades é jornalismo. E é claro que é", afirmou o escritor na época do lançamento. "Numa época bizarra e selvagem como essa, é obrigatório trabalhar como um jornalista: sair à rua e ver o mundo maluco que criamos".

A editora Rocco dá mais um passo na publicação da obra de Tom Wolfe no Brasil com o lançamento de Radical chique & o terror dos RPs, publicado originalmente em 1970. Wolfe escreveu esse livro no auge da badalação do Poder Negro, o movimento de valorização da cultura afro-americana surgido na seqüência da luta pelos direitos civis dos negros. Mas ao contrário do ideário pacífico e cristão de Martin Luther King, o Poder Negro projetava-se pelo radicalismo, pelo lado religioso do islamismo simbolizado por Malcolm X, e pela atuação política do partido dos Panteras Negras.

São esses e outros rebeldes sem pausa (trabalhadores chicanos, ambientalistas) que fizeram a cabeça dos novos chiques nova-iorquinos. E Tom Wolfe retrata com riqueza de detalhes os hábitos, bens e pronúncias desses radicais chiques - os recém-chegados à sociedade, que emergiram da nova indústria de fazer dinheiro dos anos 60: a mídia.

Veja aqui um resumo dos movimentos políticos citados no livro:

Partido dos Panteras Negras: organização política fundada em 1966 em Oakland, Califórnia, por Bobby G. Seale e Huey P. Newton, tendo como propagandista Eldridge Cleaver. Criada originalmente como uma organização de defesa dos direitos dos negros, os Panteras acabaram pregando o uso de armas.

No seu auge, em 1968, o grupo já contava com 5000 filiados, o que despertou uma campanha de reação do governo americano, que gerou prisões por suspeitas de terrorismo. Um conflito envolvendo os Panteras e a polícia de Chicago (1969) , que resultou na morte de dos líderes do partido foi apenas um dos muitos tumultos que se seguiram até 1972, quando o partido se dissolveu.

A rebelião Mau Mau: revolta contra o controle britânico no Quênia iniciada em 1952. Cansada de ter suas reivindicações ignoradas a comunidade africana, especialmente a sociedade secreta Mau Mau, pertencente ao grupo tribal Kikuyu, partiu para ações violentas contra europeus e africanos desleais. A revolta durou três anos gerou a morte de 11 mil rebeldes, 100 europeus e o confinamento de 80.000 pessoas em campos de detenção. Jomo Kenyatta, líder da União Queniana, principal partido político africano no país, foi condenado a sete anos de prisão, suspeito de organizar os Mau Mau. Apesar de fracassada, a revolta foi o principal impulsionador da independência do Quênia.

Conheça alguns dos líderes negros americanos:

Stockley Carmichael - dirigente do SNCC (Student Non-violent Coordinating Commitee), foi preso diversas vezes em manifestações. É autor do livro Black Power em parceria de Charles V. Hamilton.

Eldridge Cleaver - Um dos principais dirigentes dos Panteras Negras e ensaísta sobre temas da cultura negra. Autor de Soul on Ice.

Malcolm X - Malcolm Little foi o mais carismático líder do Muçulmanos Negros até romper com o movimento em 1964. Seu discurso radical sofreu um grande mudança depois de suas visitas à África. Foi assassinado em 21 de fevereiro de 1965.

Martin Luther King - Mais influente líder negro americano. Sua fama começou com o lendário boicote dos ônibus na cidade de Montgomery, Alabama, entre 1955-56. Ele esteve presente em diversas manifestações e encontrou-se com todos os presidentes americanos do seu tempo. Em 1964 ele recebeu o prêmio Nobel da Paz. Foi assassinado em 4 de abril de 1968.

Perfil

Foi a partir de uma matéria sobre uma exposição de carros personalizados na Carolina do Norte, publicada na revista Esquire em 1965, que surgiu o new journalism. O estilo criado por Tom Wolfe, rompeu com os manuais de redação para narrar histórias na primeira pessoa onde qualquer coisa que possa significar status (um isqueiro, um sofá, um penteado) é dissecado em seu aspecto, textura e preço.

Do autor a Rocco já publicou A Fogueira das vaidades (levado ao cinema por Brian de Palma), Da Bauhaus ao nosso caos, O teste do ácido do refresco elétrico e Os eleitos.

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Aqui está uma lista de endereços da Internet para a sua pesquisa:

Trecho Real Audio de uma palestra de Tom Wolfe

http://www.msu.edu/lecture/wolfe.html    

Transcrições de comentários de Tom Wolfe no projeto Video McLuhan http://www.videomcluhan.com/

 

Resenha de Fogueira das vaidades (The Bonfire of the Vanities)  

http://www.xs4all.nl/~nexus/foss/tom    

Resenha de O teste do ácido do refresco elétrico (The Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby)  

http://www.jayi.com/Fishnet/Edge/Mar_Apr_96/wolfe.html  



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