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Ordem na cidade
O exercício cotidiano da autoridade policial no Rio de Janeiro: 1907 - 1930
Marcos Luiz Bretas
Ensaio   224 páginas
Tradução: Alberto Lopes


Durante quatro anos, o historiador Marcos Luiz Bretas dedicou-se a analisar os livros de registro de ocorrências de sete distritos policiais do Rio de Janeiro, compreendendo o período de 1907 a 1930. A pesquisa serviu de base para sua tese de doutorado em Filosofia, junto ao Departamento de História da Faculdade de Artes da Open University, na Inglaterra, que a Rocco lança agora com o título Ordem na cidade.

O foco da tese é a cidade do prefeito Pereira Passos, depois de 1904, quando a intenção era dotar o país de uma capital à altura dos principais centros urbanos da época. Nos primeiros anos da reforma urbana, o papel da polícia cresceu consideravelmente, a fim de controlar a massa de trabalhadores pobres.

Os livros de registro de ocorrências das delegacias eram utilizados para documentar tudo o que fosse levado ao conhecimento dos comissários, para informação ao delegado do distrito. São, portanto, a principal fonte para o estudo da cultura policial. E foi isso que Bretas procurou entender: a maneira como os policiais pensavam - e pensam - e a visão que eles têm do mundo, a partir do que ocorre nas delegacias. Para compreender como as forças policiais desenvolveram seus procedimentos, o autor analisou sua ação como um dos principais elementos de ligação entre o estado (e as elites dominantes) e os cidadãos.

No decorrer da pesquisa, o historiador verificou que tanto a PM quanto a Polícia Civil pouco evoluiram do início do século até agora. O relacionamento entre a polícia e o público continua permeado pela violência, pelo medo e, talvez, por uma deferência concedida a contragosto. Os recursos das forças policiais eram - e continuam sendo - necessariamente limitados, obrigando os policiais a selecionar as ocorrências que deviam - e devem - ser rotuladas como crimes.

Bretas aponta a polícia como um excelente exemplo de um órgão público da era moderna. Ela surgiu a partir do estado absolutista para um papel essencial no estado contemporâneo. No entanto, é excluída da maior parte das histórias políticas ou de estudos sobre o estado. "Durante um longo período da história brasileira, a polícia não parecia ser um objeto relevante ou possível para as ciências humanas. O assunto tornou-se mais importante a partir da década de 70, não só porque sua relevância passou a ser internacionalmente reconhecida, como também pelo fato de ter adquirido uma premente pertinência no meio urbano em rápido processo de deterioração das grandes cidades brasileiras", afirma o historiador.

Segundo ele, colocar o comportamento arbitrário da polícia carioca em perspectiva histórica obriga os historiadores a explicar as razões da longevidade sem contestações de um sistema baseado no abuso de poder. Bretas aceita o desafio e ajuda a clarear um tema tão comentado e, ao mesmo tempo, polêmico.

Sobre o autor: Marcos Luiz Bretas, carioca, 38 anos, professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista no estudo do aparato policial do Rio de Janeiro. Em mais de 13 anos de pesquisas sobre a polícia, fez teses de mestrado, no Iuperj, e de doutorado, na Open University da Inglaterra. Foi professor da Universidade Santa Úrsula, de 1987 a 1996 e pesquisador da Casa de Rui Barbosa. Em 1995, obteve destaque no Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa, com sua tese de mestrado intitulada A guerra das ruas: povo e polícia da cidade do Rio de Janeiro.



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