O poder de um prosaico objeto despertar as maiores fantasias e
paixões. As fronteiras entre o proibido e o desejável , entre o normal e
o pervertido. O momento em que o escondido passa a ser não só
público, como exibido e banal. Estes são os caminhos pelos quais a
historiadora Valerie Steele envereda no seu novo livro Fetiche: moda,
sexo e poder, que está sendo lançado, aproveitando a presença da
autora no Rio de Janeiro, de 10 a 16 de novembro, a convite da
editora Rocco e do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, da
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O ponto de partida da
pesquisa de Steele, um prolongamento de seus estudos anteriores
sobre a moda parisiense e as relações entre gênero e roupas, é a
moda como expressão simbólica do sexo. E que espaço melhor para
observar isso do que o dos objetos de fetiche com sua infinidade de
significados ?
Contando com detalhes a história do espartilho,
dos sapatos altos, das meias finas, da lingerie, das roupas de couro e
dos uniformes, Valerie Steele confirma sua fama de prosadora
agradável e informada, e de acadêmica confiante e exata, mesmo ao
enfrentar temas que outros historiadores considerariam pouco
apropriados a estudos mais profundos. Ao final da leitura de seu livro,
o curioso, o estudante e o entendido no assunto terão encontrado
matéria para muitas considerações.
Valerie Steele não só
inventaria as hipóteses de Krafft-Ebing , Freud, Focault e do
feminismo, como explica por que o fetiche está em toda parte.
Seguindo as trilhas por ela apontadas, é possível ver com outros
olhos, não só a moda de Gaultier e Galliano, com sutiãs pontudos e
saltos finos, como a força dos filmes O piano, Pulp fiction e Veludo
azul.
VALERIE STEELE Valerie
Steele é uma historiadora cultural especializada em moda. Doutora
pela Universidade de Yale, ela ministra aulas na Divisão de Estudos
de Graduação do The Fashion Institute of Technology.
A Dra.
Steele é autora de Woman of Fashion (Rizzoli, 1991), Paris fashion: a
cultural history ( OUP,1988), assim como Fashion, 1945-1995 ( Paris,
Adam Biro, 1997), seu próximo lançamento. Ela também é co-redatora
de Men and women: dressing the part ( Smithsonian, 1989), e vem
colaborando com seus ensaios para vários outros livros e periódicos
desde Aperture e Artforum até Visionnaire e Vogue. Ela foi co-diretora
da exibição itinerante Art, Design and Barbie: The making of a cultural
icon sobre da qual escreveu o catálogo (distribuído pela Rizzoli).
Recentemente nomeda editora da nova revista trimestral Fashion
theory: the journal of dress, body and culture (editora Berg), ela faz
parte do quadro de diretores da Costume Society of America, do
quadro de conselheiros da International Costume Association, situada
em Tóquio, e é um dos três únicos membro americanos do
International Consultative Committee of Moda Documenta, em Milão.
Ao escrever para Dress (1989), Robert Riley declarou que "
Anne Hollander, Valerie Steele e Bill Cunningham são membros de um
seleto grupo de críticos e eruditos americanos que estão, atualmente,
escrevendo e falando sobre moda com conhecimento sobre o
mercado, a habilidade e a arte. Eles sabem a história da moda e o seu
significado... Eles são astutamente independentes. Acima de tudo,
eles respeitam sua profissão e confiam a ela considerável
importância".