"Mãe é mãe, paca é paca. Mulher é tudo vaca." O refrão
da turma do Casseta e Planeta reforça a tese igualmente
bem-humorada da escritora Laura Zigman, em
A lei da
fazenda. No seu livro de estréia, ela faz uma divertida ironia da
mania – ou clichê – que o homem tem de trocar a atual mulher por
outra. Ao analisar o comportamento amoroso masculino, ela cria a
"Teoria da Vaca Nova", que mistura pensamentos de
Darwin, Freud e argumentos pseudocientíficos.
A lei da
Fazenda já vendeu mais de 55 mil exemplares nos Estados
Unidos – número expressivo para um romance de estréia – e a história
está sendo adaptada para o cinema, com lançamento previsto para
maio de 1999. Laura encontrou uma forma diferente de discutir um
tema antigo: a guerra dos sexos. Ao mesmo tempo, conseguiu fazer
humor sarcástico com ele, ao melhor estilo Woody Allen.
Ela
conta a história da apresentadora de televisão Jane Goodall
(curiosamente homônima de uma especialista em chimpanzés), que se
apaixona por Ray, um jovem produtor executivo, bonito e
aparentemente – como Jane – solitário. Depois de alguns meses, ele
dá o fora, ignora os telefonemas e se transforma em mais um amor não
correspondido. Recém-chegada à casa dos 30, Jane resolve então
transformar sua dor de cotovelo numa pesquisa científica. Vai morar
com Eddie Alden, um mulherengo típico, especialista em fugir de
compromissos, que se encaixa perfeitamente em sua estratégia. Com
Eddie, ela vive as experiências planejadas, ou seja, as agruras da
mulher que vai ser inevitavelmente trocada por outra. E colhe um
conjunto de teorias que envolve homens, mulheres, bichos, a Teoria
da Evolução e discursos de auto-ajuda.
Escolada e articulada,
Jane Goodall se credencia a assinar uma coluna de conselhos
sexuais numa revista masculina. A situação de Jane e Eddie inspira a
analogia que permeia toda a história: o homem é como o touro, que
sempre opta por uma vaca nova.
Formada pela Universidade de
Massachusetts e com experiência de editora, Laura Zigman ambienta
sua história em Nova York, o cenário perfeito para a ironia inteligente
de sua abordagem, que faz pensar e rir sobre um assunto que mexe
com todo mundo.