Como narrar a cidade na contemporaneidade? O que diferencia
culturalmente uma cidade de outra? Como se relacionam a arquitetura
das cidades e os personagens ficcionais dos romances urbanos?
Quais são os repertórios culturais das modernidades urbanas no final
do século XIX e fins do século XX?
Essas perguntas
abrangentes são exploradas através do exemplo específicos nos
ensaios de Fins de Século: cidade e cultura no Rio de Janeiro. Na
voga crescente de estudos culturais sobre a cidade, esse livro busca
esboçar algumas características particulares das experiências
culturais da modernidade tropical no Rio de Janeiro.
No
cotejamento entre literatura e ficção, temos a construção de
emblemas arquitetônicos e personagens urbanos compondo um painel
seletivo do Rio de Janeiro em três cortes temporais: a modernidade do
final do século XIX e inícios do século XX, o modernismo de 20 a 50 e
a contemporaneidade dos anos 90.
As figuras letradas de
Raul Pompéia, Machado de Assis e Lima Barreto e seus personagens
ficcionais nos apontam para uma galeria contrastante de modelos de
individualidade e formas de subjetividade na cidade do final do século
XIX e inícios do século XX.
Nos olhares estrangeiros de
Elizabeth Bishop, Levi-Strauss, Jean Baudrillard e Paul Rabinow
temos a apreensão do cenário carioca em tempos diversos e gêneros
contrastantes que vão desde o repúdio à modernidade periférica até
apreciação do hibridismo cultural carioca.
No emblema da
modernidade modernista contida no edifíco do Ministério da
Educação e Saúde e a modernidade contemporânea dos edifícios da
Barra da Tijuca, temos a saga da encenação do moderno no embate
entre projetos do Estado e pulsações do mercado.
Os
ensaios realçam fragmentos urbanos entrevistos em edifícios,
personagens e estilos de vida. Traçando um diálogo entre edificações
e palavras, esse olhar interpretativo revela as possibilidades e
tentativas de criação de significados culturais que expressem os
conflitos e anseios das múltiplas cidade que convergem no Rio de
Janeiro.