Depois de analisar o processo da morte no consagrado livro Como
morremos, o médico americano Sherwin Nuland examina agora o
processo da vida. Com toda a experiência que acumulou lidando com
o corpo humano no seu dia a dia, o autor ainda se diz "perplexo
com a maravilha que somos nós". De fato, ele escreve como um
médico em estado de encantamento. Um médico experiente, que
ainda se entusiasma com a infinita variedade de processos pelos
quais mantemos nossa integridade física. Nuland fez este livro como
se embarcasse numa expedição à procura da base sobre a qual
nossa espécie desenvolveu as propriedades que fazem de nós seres
humanos.
Com linguagem simples, porém rica em detalhes, o
autor explica várias funções do corpo humano, como circulação,
digestão, fertilização, sempre partindo de situações concretas. De
cada um desses casos, ele tira uma lição. Afinal, como ele mesmo
afirma, por maior que seja a dedicação e o talento de professores e
colegas, os maiores professores dos médicos são seus
pacientes.
Definindo-se como um "medico
cético", Nuland refere-se com freqüência ao princípio biológico
da sobrevivência, segundo o qual, se um organismo quer sobreviver,
toda a atividade em seu interior deve, de alguma forma, participar
desse esforço. A essa capacidade que o corpo humano tem de
promover a integração das várias partes desse esforço ele chama de
"sabedoria".
O autor também recusa a tese da
dualidade entre corpo e mente – "tudo é uma coisa só" – e
prefere definir como "espírito humano" o resultado de
mecanismos biológicos que servem para proteger nossa espécie e
sustentar-nos, perpetuando a existência da humanidade.
Sobre o autor
O médico Sherwin B. Nuland é
clínico cirurgião formado pelo Yale-New Haven Hospital (EUA), com
35 anos de experiência profissional. É autor do premiado livro Como
morremos (1995), consagrado pelo público e pela crítica. Também
escreveu: Medicina: a arte de curar, As origens da anestesia e
Médicos: a biografia da medicina.