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Achados da Geração Perdida
Receitas e Anedotas da Paris dos anos 20
Suzanne Rodriguez-Hunter
Ensaio   264 páginas
Tradução: Júlio Bandeira
ISBN: 8532509681


Saber e sabor, corpo e alma. Roland Barthes já afirmou que a lingua é gulosa; a literatura, nesse contexto, é sua mais nobre iguaria. Pratos (em francês, mets) e palavras (mots, no mesmo idioma) são os destaques de um delicioso banquete editorial sob a forma de livro: Achados da Geração Perdida, de Suzanne Rodriguez-Hunter. Um festim celestial onde escritores, artistas, músicos e bailarinos da Paris dos anos 20, os Anos Loucos, são os comensais.

Partilhe um escargot a la Bourguignon com Hemingway e Scott Fitzgerald. Reviva o banquete oferecido por Picasso ao pintor Henry Rousseau, juntamente com George Braque e Apollinaire. Sente-se à mesa com James Joyce e sua editora Sylvia Beach para beliscar ostras e aspargos com maionese ao vinho tinto. Tome um chá com Gertrude Stein. Deguste uma sopa de cebolas no mítico Les Halles, o grande mercado no centro de Paris, com Man Ray e Kiki de Montparnasse. Reúna os amigos e faça uma viagem no tempo através das receitas culinárias da Geração Perdida e instale os "anos loucos" em sua casa. Por que não?

Paris era uma festa na década de 20 e é esta atmosfera que enche de aroma inebriante o livro de Rodriguez-Hunter, uma história social da intelectualidade de uma época, ávida para vivenciar "a maior concentração de loucuras que o mundo já presenciou", segundo Jimmie Charters, barman do Dingo Bar, referência obrigatória para os artistas da Montparnasse. "Talvez nossas expectativas fossem um pouco grandiosas, nossos desapontamentos mais profundos: mas pelo menos aquela foi uma geração disposta a descobrir, uma geração que tinha optado pela ousadia", descreve Harold Loeb, o inspirador do personagem Robert Cohn em O sol tambem se levanta, de Hemingway.

Em trinta esquetes apetitosos, a autora reconstitui deliciosamente os prazeres da Geração Perdida, a primeira fornada de artistas do Modernismo, "no único lugar do planeta que nos dá a oportunidade de viver numa atmosfera normal para um ser humano", nas palavras de Richard Wright. Paladar e boa conversação sempre foram ingredientes obrigatórios no livro de receitas do savoir vivre, o que pode se constatar prontamente na reconstituição habilidosa da aura de uma época tão bem delineada por Rodriguez-Hunter. Não fosse pelo diálogo ao redor de uma mesa, a refeição seria mero pasto. Desta forma não nos diferenciariamos dos animais. Estes podem encher o estômago em silêncio. Para os seres humanos, trata-se de nutrir o corpo e a alma com o complemento de uma amena conversação espirituosa, temperada pelos sabores mais transcedentais. Daí tantas regras sobre o que dizer e como falar a mesa. O diálogo congrega aqueles que a comida tenderia a separar, por sua atração irresistivel. É para esta festa constante de inteligência e bom gosto da década de 20 que Rodriguez-Hunter convida seus leitores. Bon appétit!

Sobre a autora

Suzanne Rodriguez-Hunter é jornalista, colaboradora do Washington Post, Los Angeles Times e Chicago Tribune. Este é seu primeiro livro e foi elaborado durante o ano em que viveu em Paris. Ela mora em San Francisco.




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