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Cartas do coração
Uma antologia do amor
Elisabeth Orsini
Ensaio   268 páginas
ISBN: 8532510574


Cartas do coração — Uma antologia do amor, organizado pela jornalista Elisabeth Orsini, é um daqueles livros que devem ser saboreados com calma e emoção. Isso porque, seja através dos amores bem-vividos ou da angústia sufocante das paixões não realizadas — entre tantos outros belos exemplos epistolares colhidos por Elisabeth —, o que se revela é um vertiginoso mergulho num turbilhão de sentimentos alheios que acaba convocando o leitor a (re)descobrir e, quem sabe, a (re)pensar suas próprias afetividades.

O livro tem, basicamente, três tipos de cartas: clássicas, raras e inéditas. No primeiro, correspondência, por exemplo, de Van Gogh ao irmão Théo, Beethoven à amada imortal e Byron a sua meia-irmã Augusta; no segundo, James Joyce escreve a Nora Barnacle (com quem teve um filho), Frida Kahlo conversa com seu marido Diego Rivera e Graciliano Ramos pergunta a Heloisa Medeiros: "Estamos noivos ou não?" Entre as inéditas, há cartas de Nelson Rodrigues a Elza, José Guilherme Merquior a Hilda, Dostoievsky a Anna (nunca foi publicada em língua portuguesa), Henry Miller a Brenda Venus (idem), Villa-Lobos a Mindinha, Cazuza a Lucinha Araújo...

Elisabeth elaborou esta significativa coleção de cartas buscando, acima de tudo, registrar as diversas possibilidades de manifestação do amor. E, vasculhando não apenas a correspondência de personagens de carne e osso como também aquela trocada entre habitantes do universo literário — como os inesquecíveis amantes de Ligações perigosas, de Choderlos de Laclos.

O resultado é um rol de amores maduros, febris, maternos, filiais e fraternos, amores doloridos, cerebrais, resignados, impossíveis, amores que não vêem barreiras entre sexo ou credo. O livro é organizado em capítulos que levam títulos como "Fazendo a corte", "Frêmitos e arrebatamentos", "Suspiros d'alma" ou "O amor à tarde". Neles, grandes personagens da história de todos os tempos e artes, como Mozart, Rimbaud, Fernando Pessoa, Oscar Wilde, D. Pedro I, Rui Barbosa, Camille Claudel, Jorge Luis Borges, Henfil, Rosa Luxemburgo, Napoleão, Olavo Bilac etc., são missivistas selecionados não pela nacionalidade, época ou atividade, mas pela intensidade e sinceridade com a qual registraram seus amores, felicidades, arrebatamentos e mágoas.

A própria Elisabeth se faz presente nesta obra com uma pungente carta ao filho Marco Antonio e outra a "uma estranha amizade". Personagem de sua história, a jornalista sabe que as dores do coração aparecem sem escolher hora, motivo ou laços afetivos.

Elisabeth Orsini é jornalista. Trabalhou 14 anos no Jornal do Brasil e há quatro está no O Globo, atualmente no Caderno ELA. É separada, mãe de Marco Antonio Orsini Neves, de 20 anos. Estudou jornalismo na UFF. É autora de dois livros: Bons modos a nossa moda, em parceria com Iesa Rodrigues e Os emergentes da Barra, junto com Márcia Cezimbra.




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