Se a obsessão por dinheiro é considerada por muitos
psicanalistas um sintoma da loucura coletiva, a relação de cada um
com o dinheiro não pode deixar de ter conexão com distúrbios, como
carências, medos, vazios afetivos, depressão, sentimentos represados
— o cardápio é enorme. Comprando sua felicidade — Formas
saudáveis de lidar com o dinheiro, de Susan Forward e Craig
Buck, leva o leitor a descobrir as bases de sua própria relação com o
dinheiro, a partir da análise de dezenas de casos clínicos de
perdulários, sovinas, irresponsáveis e trapaceiros que transformaram
suas vidas num inferno desde que jogaram problemas pessoais na
ciranda econômica.
Os autores
ensinam um perseverante exercício de auto-ajuda para que o leitor
perceba que dinheiro e amor são áreas diferentes e com demandas
muito específicas. Esta confusão está presente, em graus de
intensidade diferentes, na vida de todo mundo. Mas, nos casos mais
graves, destrói casamentos e pode transformar um cidadão de boa
reputação num estelionatário, apenas por causa de uma carência
afetiva. A conduta em relação ao dinheiro não é uma esquisitice
psicológica isolada. É um reflexo da personalidade, principalmente, no
relacionamento amoroso. Se uma pessoa, por exemplo, se acha
indigna de ter dinheiro, provavelmente se sente indigna de ter amor.
Se é sovina com dinheiro, deverá sê-lo também com expressões de
amor. Da mesma forma, observe se seus amigos que têm
relacionamentos amorosos caóticos não estão simplesmente repetindo
o caos da vida econômica deles.
Susan Forward revela a origem de sua própria esquisitice com o
dinheiro. Os pais sempre a elogiavam quando ela nada pedia mas, se
queria comprar alguma coisa, era duramente criticada. Isto a
transformou numa adulta incapaz de comprar coisas para si e a fez se
relacionar com homens que pouco lhe davam. A galeria de gente
complicada com dinheiro é extensa: gastadores compulsivos que
estouram cartões de crédito para se autopunir, sovinas que têm medo
de mostrar seus sentimentos, mulheres que só atraem pães-duros
incorrigíveis. Para cada um destes casos clássicos, os autores
recomendam uma série de exercícios para trabalhar os sentimentos
originais que levaram às situações caóticas.
Quando o dinheiro é sinônimo de
felicidade e a falta dele se traduz em desamparo e falta de amor, a
vida fica realmente trágica. Mas os autores ensinam que tudo pode
mudar para melhor se o dinheiro se tornar um objeto de estudo
pessoal para se compreender os mistérios da alma.
Sobre os autores
Susan
Forward, Ph. D. é psicoterapeuta, conferencista e autora conhecida
internacionalmente. Seus livros Amores obsessivos, A
traição da inocência, Homens que odeiam suas mulheres
e Pais tóxicos já foram traduzidos em quinze idiomas.
Craig Buck é roteirista e produtor de
cinema e televisão, e tem escrito sobre comportamento humano para
vários jornais e revistas americanos. É co-autor de Pais
tóxicos, Amores obsessivos e A traição da
inocência.