Este livro foi escolhido pelo New
York Times como um dos melhores de 1989
Pouco tempo após o fim da I Guerra Mundial,
Agnes von Kurowsky, primeira paixão de Ernest Hemingway, recebeu
dele uma carta comunicando que estava escrevendo um romance
sobre o namoro que tiveram num hospital em Milão. Agnes respondeu
que se sentia "honrada" e que esperava "ansiosamente" pelo livro.
Adeus às armas foi o grande lançamento de Hemingway como
um dos gênios da literatura mundial neste século. Motivou um filme
com Gary Cooper em 1932 e outro com Rock Hudson em 1957. Mas
deixou Agnes furiosa. Ela aparece no livro com o nome de Catherine
Barkley, amante de um certo Frederic Henry, que era o próprio
Hemingway. "Nunca fui uma garota desse tipo", disse, aos 84 anos,
em entrevista ao ex-embaixador americano Henry S. Villard. "Nunca
houve um caso entre nós", assegurou. Agora, no livro
Hemingway no amor e na guerra: o diário perdido de Agnes
von Kurowsky, Villard e James Nagel tentam comprovar que o
autor de O velho e o mar apaixonou-se com a totalidade de
sua alma por Agnes que, no entanto, correspondeu sem muito
entusiasmo. Para eles, não houve mais que um flerte. O que não
impediu Agnes de escrever-lhe muitas cartas, nas quais o chamava
de "meu amado" e usava expressões amorosas.
Um dos autores, Henry S. Villard, combateu na I
Guerra Mundial, foi ferido e acabou no mesmo hospital de Milão onde
o escritor também estava em tratamento. Villard conseguiu o diário de
Agnes, através do viúvo dela, além de várias cartas que ela enviou a
Hemingway. Com James Nagel, examinou estes e outros
documentos. Neste livro, eles contestam a versão de Hemingway em
Adeus às armas. Qual seria a real gravidade dos ferimentos do
gênio da literatura? E, principalmente, o que há de verdade em seus
relatos da guerra e do envolvimento dos dois? Por fim, oferecem ao
leitor a versão que seria de Agnes.
Ernest Hemingway serviu como motorista de
ambulância da Cruz Vermelha na Itália durante a guerra. Quando
levava café e chocolate para os soldados em batalha, recebeu
centenas de estilhaços de morteiro nas pernas e foi atingido por balas
de metralhadora. Assim mesmo, colocou um soldado italiano ferido nos
ombros e o levou para receber socorro. Voltou aos Estados Unidos
como herói mas, segundo os autores, exagerou ao contar sua história:
disse que recebera 32 balas calibre 45 e que 28 delas foram
removidas sem anestesia. São versões de uma história que
dificilmente será totalmente passada a limpo, já que os personagens
principais estão mortos. De qualquer forma, Ernest Hemingway entrou
para a história como um brilhante escritor — e, como tal, certamente a
ficção estava sempre acima do real. Ainda bem.
Sobre os
autores
Henry S. Villard era aluno
de Harvard em 1917 quando se inscreveu para servir no corpo de
ambulâncias da Cruz Vermelha na Itália. Em 1928, depois de trabalhar
como pós-graduado em Oxford, entrou para o American Foreign
Office, tendo chegado a embaixador. Faleceu em fevereiro de 1996
aos 96 anos.
James Nagel é
professor de Literatura Americana na Universidade da Geórgia.
Publicou 17 livros sobre ficção americana. É o coordenador executivo
da American Literature Association e ex-presidente da Ernest
Hemingway Society.