Este livro é ‘filhote’ de Não faça
tempestade em copo d’água que a editora Rocco lançou há
exatamente um ano e que está na lista de mais vendidos até hoje.
Richard Carlson resolveu dedicar um livro inteiro ao tema trabalho
devido a milhares de pedidos que recebeu. Depois de pesquisas,
entrevistas e estudos, ele chegou a algumas conclusões. Por
exemplo: o que nos deixa loucos não são os problemas graves e
significativos — que são eventuais —, mas as "coisas
pequenas". Naturalmente, aos nossos olhos muitas dessas
coisas se transformam em emergências gigantescas que acarretam
frustrações, estresses, fracassos. Sãos as tempestades em copo
d’água que ele ensina, aqui, como driblar.
Também desta vez, o sucesso de Carlson se
deve, principalmente, à maneira objetiva e simples com que ele mostra
alguns vícios de trabalho, independentemente da profissão.
Acostumamos a pressupor que "se alguém está relaxado ou feliz
é porque não deve trabalhar duro". Ou, que está satisfeita com
seu status quo e, portanto, não necessita de aumento de
salário ou promoção. Mas o pior equívoco é esse: uma pessoa
tranqüila e feliz não seria adequada a um ambiente competitivo. Para
ele, tudo isso é bobagem. "Está tudo bem em ser feliz no
trabalho", afirma. Isso não significa que você vai
"amolecer"; ao contrário, sua energia vai aumentar e você
será capaz de trabalhar "no olho da tempestade".
Para começar, ele aconselha a não
dramatizar os prazos finais. Além de só acarretar interferência
negativa, as pessoas muito centradas nesses dramas ficam
chatíssimas porque alugam os ouvidos alheios reclamando da falta de
tempo. Mais chato, só a "ostentação profissional": para
mostrar o quanto é importante, a pessoa fica recitando como é
incrivelmente ocupado. Como se exibisse uma medalha de honra,
desanda a contar sua sobrecarregada rotina que o priva de horas de
sono e rouba sua vida pessoal. Se afirmar que isso é extremamente
tedioso e improdutivo não é suficiente, Carlson avisa: "Hoje em
dia, ‘estar ocupado’ é um assunto ultrapassado; todo mundo já está
falando sobre isso. Bater nesta tecla só vai aumentar seu estresse e
torná-lo uma pessoa menos interessante."
O telefone — aí está um dos grandes vilões do
estresse no trabalho. Ele dá uma dica: "Tenha algum tempo
‘sem telefone’ no trabalho." Isto é, separe um momento para tirar
o "maldito" do gancho; de preferência, deixe na secretária
eletrônica para não perder um negócio importante. O mais difícil pode
ser convencer o chefe de que essa estratégia dá bons
resultados.
Um dos ditados favoritos do
autor é "estar morto é ruim para os negócios". Óbvio, não?
Isso serve para ajudar a ter uma visão objetiva: se você perder a
saúde e o bem-estar não será capaz de trabalhar. E não adianta
justificar-se com o batido "não tenho tempo" para fazer
exercícios, comer adequadamente etc. Nunca é demais repetir: se
você morrer, aí é que os negócios não vão prosperar — para você.
E mais: nas viagens de trabalho,
aproveite ao máximo; não cultive o péssimo hábito de deixar as
pessoas esperando para não acarretar raiva contra você, aceite o
fato de que, de vez em quando, você terá um dia realmente ruim, não
coloque preço em coisas pessoais, conviva com a verdade de que
sempre existirá alguém zangado com você, passe 10 minutos por dia
sem fazer absolutamente nada, peça o que quiser, mas não insista em
conseguir tudo, valorize as pessoas que trabalham com você, diminua
seu ego, não viva pensando na aposentadoria... Por fim, lembre-se:
nada como um dia após o outro. Tempestade hoje, céu de brigadeiro
amanhã.
Sobre o autor
Richard Carlson é Ph.D. em estresse,
consultor de empresas sobre esse assunto. Vive na Califórnia com a
mulher e as filhas.