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Os pássaros
Camille Paglia
Ensaio   132 páginas
Tradução: Jussara Simões
ISBN: 8532510701


Durante toda sua vida, Alfred Hitchcock sofreu influência da mãe dominadora e sufocante. E sempre teve pavor de pássaros. Estes dois componentes, juntos, talvez expliquem por que o mago do suspense escolheu inocentes aves para compor Os pássaros, baseado num conto de Daphne Du Maurier. Espécie de apocalipse segundo Hitchcock, em que gaivotas, corvos, todos os emplumados do planeta parecem encarnar forças do mal. No livro Os pássaros (The birds) a americana Camille Paglia manipula idéias assim e mais um sem-número de componentes psicológicos, na tentativa de explicar a tempestade mental que deu origem a essa obra-prima do cinema.

Ano passado, quando se comemoraram os 35 anos desse filme, o British Film Institute entregou a Camille a tarefa de elaborar esse ensaio, para incluí-lo na coleção BFI Classics. Já em Personas Sexuais, livro que no início da década deu-lhe fama como polemista, Camille fazia referências a Hitchcock. Em seu novo livro, ela confessa que se sentiu "esmagada" quando viu Os Pássaros pela primeira vez. "Considero-o uma ode perversa ao glamour sexual feminino", ela diz.

Apaixonadamente e minuciosamente, ela vai muito além das questões psicológicas. Disseca, por exemplo, cada um dos efeitos especiais que o cineasta conseguiu, primeiro pensando em pássaros mecânicos (que acabou usando apenas em algumas cenas) e depois preferindo pássaros vivos. O que o levou, por exemplo, a colar gaivotas pelos pés num telhado. E a lidar com acidentes, como quando uma ave feriu a atriz Tippi Hedren num olho.

Em seu ensaio, a autora sugere que Os pássaros se inclui entre as principais injustiças do Oscar. O filme foi indicado apenas para a categoria efeitos especiais, que no entanto ficou com o épico de Elizabeth Taylor, Cleópatra, que Hitchcock considerava "apenas um monte de pessoas e cenários". Realizado depois de Psicose e antes de Marnie, confissões de uma ladra, esse filme, o primeiro grande sucesso popular do cineasta, tem como ingredientes o suspense, a ansiedade, o terror, as pulsões sexuais e a natureza destruidora e voraz.

Camille Paglia vai às entranhas de Hitchcock e de sua obra, coloca-as para fora, mas sem as transformar em aves empalhadas. É soberba ao revelar toda a arte, a poesia e a determinação de um dos gênios deste século.

Sobre a autora

Camille Paglia é professora de Letras na Universidade das Artes de Philadelphia e autora de Personas sexuais: arte e decadência de Nefertite a Emily Dickinson, Sex, art and american culture e Vamps & tramps: New essay.




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