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Trilogia da paixão
Três dos últimos poemas de Goethe
Goethe
Poesia   128 páginas
Tradução e Ensaio: Leonardo Fróes
ISBN: 8532510302


Aos 74 anos e viúvo há sete, Goethe se apaixonou por uma jovem de 19, que era muito bonita e bem nascida. Depois de a cortejar algum tempo, acompanhando-a em passeios, chás e bailes, ele fez a Ulrike von Levetsow um pedido de casamento que não foi aceito. A decepção, em vez de abatê-lo, levou-o a escrever um dos seus mais belos poemas, a "Elegia de Marienbad", que é a parte principal da Trilogia da paixão, agora traduzida pela primeira vez no Brasil. Publicada em edição bilíngüe, o livro faz parte das comemorações dos 250 anos de nascimento do maior autor da Alemanha.

Nas Conversações com Eckermann, o amigo e discípulo que registrou dia-a-dia, ao longo da última década de sua vida, seus pensamentos mais importantes, Goethe disse, depois de ter vivido essa paixão pela moça, que determinadas pessoas estão sujeitas a fases de "puberdade repetida", durante as quais se enchem de extraordinária energia, tornando-se incomumente produtivas. Como que a confirmar essa tese sobre os benefícios do amor, Goethe saiu do enlevo por Ulrike para um período de grande criatividade, muito raro em pessoas de idade tão avançada. Além de escrever numerosos outros poemas e uma batelada de ensaios literários e científicos, ele reviu e levou à conclusão algumas de suas obras mais expressivas, entre as quais a segunda parte de Fausto, só completada já à beira da morte.

No ensaio que se segue à tradução da Trilogia da paixão, o poeta Leonardo Fróes, que estudou na Alemanha quando jovem e há quase 40 anos se dedica à obra de Goethe, estabelece ligação entre as fases de "puberdade repetida" do "sábio de Weimar" e os jorros de criatividade que sempre as acompanharam. Na verdade, Ulrike von Levetsow não foi a única menina bonita a despertar interesse em Goethe. Com várias outras, como Bettina Brentano, de 22 anos, Minna Herzlieb, de 18, e Silvie von Ziegesar, de 21, ele também se envolveu a fundo, em paixões que deixaram marcas visíveis na sua obra lírica e ficcional. Do relacionamento afetivo com Marianne von Willemer, por exemplo, que estava com 30 anos quando seus destinos se cruzaram, resultou o Divã ocidentoriental, uma das obras mais originais de Goethe, na qual ele adaptou à sensibilidade européia os padrões da poesia persa, onde a fusão de amor e misticismo é a nota de mais alto relevo.

Sobre Leonardo Fróes

Contemplado com o Prêmio Jabuti de Poesia em 96 e com o Prêmio Paulo Rónai, de tradução, da Biblioteca Nacional, em 98, Leonardo Fróes teve toda a sua obra poética, até então dispersa, reunida em Vertigens, lançado pela Rocco ano passado. É um dos tradutores brasileiros mais respeitados, graças aos trabalhos realizados em grandes clássicos, como Swift e George Eliot, e de autores modernos de estilo inovador e extremamente difícil, como Faulkner e Malcolm Lowry. Leonardo mora em Petrópolis, no Rio.

Ao escrever sobre Goethe, uma paixão da adolescência que o acompanhou pela vida, Leonardo Fróes não se limita a enfocar a movimentada vida amorosa desse homem multiforme que fundiu poesia e ciência com a mesma grandeza com a qual foi, em momentos distintos, um expoente do romantismo e do classicismo. Seu ensaio, de fato, é uma introdução à obra de Goethe, onde os livros mais notáveis do mestre, como o Werther, as Afinidades eletivas, o Fausto, a saga de Wilhelm Meister e Poesia e verdade, são apresentados ao leitor brasileiro.




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