Em Um pouco mais de swing,
novo livro de contos de João Batista Melo, os personagens são bem
familiares: o professor universitário prepotente, o funcionário público
inútil, o viajante que roda o mundo em busca de emoção, a nordestina
de vida árida. Eles poderiam estar a seu lado no ponto de ônibus,
numa agência de viagens, na faculdade. Suas histórias, porém, não
têm nada de banais. Ao menos, não nas mãos de João Batista Melo,
"produto" típico da fantástica estirpe literária de Minas
Gerais, onde nasceu e vive até hoje.
Misturando realismo, ficção e lirismo, Um
pouco mais de swing — resultado de uma bolsa-prêmio da
Biblioteca Nacional — reúne 15 contos independentes, curtos, repletos
de pequenos dramas. Por trás de cada história, um fio condutor: a
limitação humana diante do imponderável. O que dizer, por exemplo,
de uma família que enterra seus mortos sob o assoalho da própria
casa? Ou de uma velha que tenta morar numa cidade de barro
esculpida por ela mesma, e em miniatura?
No conto Sedimentação, um funcionário
público de uma cidade do interior é testemunha e vítima de um
estranho fenômeno que transforma todos em estátuas – uma metáfora
sobre o grau de imobilidade que se pode atingir quando o tédio e a
falta de perspectiva chegam ao ápice. Em Fale ao motorista
somente o necessário, um professor cheio de teorias para
"melhorar a sociedade" se desconcerta diante de meninos
de rua que vêm infernizar sua rotina. Em Casinha de
bambu-ê, um dono de escola substitui a velha professora pela
jovem indicada pelo prefeito, numa barganha comum aos dias de
hoje, com, entretanto, final surpreendente.
Um pouco mais de Swing é dividido em
duas partes. Na primeira, João Batista reúne histórias saídas de sua
fornada mais recente, incluindo o conto que originou o título do livro.
Na segunda, batizada de O inventor de estrelas, o autor
retoma os contos publicados em seu livro de estréia, ganhador do
Prêmio Minas de Cultura e publicado inicialmente pela Secretaria
Estadual de Cultura de Minas Gerais, em 1991.
Sobre o autor
Mineiro de Belo Horizonte, João Batista
Melo, 39 anos, é crítico de literatura e música, colaborador de
diversos jornais. No cinema, dirigiu o curta-metragem A quem
possa interessar. Em 1998, lançou o romance Patagônia,
vencedor da categoria nacional do Prêmio Cruz e Souza de
Romance. O livro de contos As baleias de Saguenay também
foi agraciado com o Prêmio Paraná e o Prêmio Cidade de Belo
Horizonte. É casado e tem uma filha. Trabalha como assessor de
comunicação da Caixa Econômica Federal.