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Educação pelo argumento
Gustavo Bernardo
Ensaio   216 páginas
ISBN: 8532510647


Em Educação pelo argumento, o professor e pesquisador Gustavo Bernardo propõe uma ousada reformulação nos critérios de ensino e avaliação dos alunos da rede escolar. Segundo ele, hoje, os professores ensinam de maneira errada e avaliam o resultado de maneira mais errada ainda. Isso porque não há estímulo à argumentação, peça chave de qualquer raciocínio. O autor propõe a criação de um eixo interdisciplinar — todas as disciplinas em torno de um objetivo comum — para desenvolver a capacidade argumentativa dos alunos.

Ele defende que o modo como os fatos são encarados é muito mais importante do que os fatos em si. Qualquer exemplo banal demonstra isso: decorar o nome dos afluentes da margem direita do rio Amazonas pouco ajudaria a alguém que se perdesse por lá. Ser capaz de enunciar fatos, nomes ou resultados de contas complexas também não ajuda a raciocinar. O autor diz que o modelo de ensino atual é acomodado e falido, e o compara ao sistema prisional: a escola ensina tanto quanto uma penitenciária recupera delinqüentes. Bernardo, inclusive, vê semelhanças entre uma escola e um presídio. Para isso usa a figura do panopticon, citado por Michel Foucault em Vigiar e punir e que parte do princípio da fábrica-prisão: "Instituições que, no fundo, obedecem aos mesmos modelos e aos mesmos princípios de funcionamento; instituições do tipo pedagógicas como escolas, orfanatos, centros de formação, instituições correcionais como a prisão."

A base dessa distorção é o exame contínuo, a prova, os testes. O sujeito torna-se culpado (burro) até que faça uma prova e prove o contrário. Prova onde não pode haver consulta e o resultado final interessa mais do que a própria capacidade argumentativa de quem está sendo avaliado. "A nota é um sistema precário de estímulo à aprendizagem, muito mais próximo do chicote e do tablete de açúcar do domador de cavalos."

Gustavo Bernardo defende um sistema de avaliação inteiramente centrado em textos que estimulem a capacidade de argumentação, no qual a cola vira consulta necessária e sem espaço para as famigeradas provas de múltipla escolha. O que é proposto por ele está anos-luz à frente do atual modelo de ensino. Talvez por isso mesmo, suas revolucionárias idéias são absolutamente necessárias — basta ver os catastróficos resultados do "provão" do Ministério da Educação.

Sobre o autor:

Gustavo Bernardo é Doutor em Literatura Comparada e professor de Teoria da Literatura na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Publicou ensaios e romances. É carioca, casado, tem dois filhos e mora no Rio.




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