Marco do cinema expressionista alemão, o
filme O gabinete do Dr. Caligari impressiona por sua estética
inovadora, seus cenários de ruas tortas e sinuosas e sua atmosfera
macabra impregnada de mistério. Lançado na Alemanha em1920,
ganhou fama internacional e tornou-se um clássico. Hoje, é
considerado um dos melhores produtos da cultura cinematográfica do
século XX. No livro O gabinete do Dr. Caligari, o crítico de
cinema David Robinson faz um mergulho na história por trás da
história da película. E apresenta um ensaio saboroso para os amantes
do cinema e de seus bastidores — resultado de um belo trabalho
investigativo.
A partir da
descoberta recente do roteiro original e de documentos que relatam
episódios envolvendo sua produção, Robinson questiona versões até
então aceitas sobre o filme e reavalia a influência do diretor Robert
Wiene e dos roteiristas Hans Janowitz e Carl Mayer sobre a estética
de Dr. Caligari. A quem pertenceria, afinal, o mérito de sua
criação? Qual a relação da película no contexto da arte
expressionista? A história de Caligari, um psiquiatra disfarçado de
diretor de espetáculos que impele o hipnotizado sonâmbulo Cesare a
cometer assassinatos, seria apenas fruto da fantasia de um paciente
de hospício?
O autor investiga estas
questões, ao mesmo tempo em que traz para o leitor um sem-número
de curiosidades. A partir de sua leitura, descobre-se, por exemplo, que
o roteiro desta obra-prima foi escrito em apenas seis semanas. E que
os dois roteiristas o venderam a toque de caixa, por um preço bem
inferior ao desejado, porque estavam precisando de dinheiro. Também
descobre-se que o filme foi totalmente rodado em estúdio e que a
imagem de Caligari foi criada a partir de retratos de Schopenhauer.
Robinson faz ainda uma comparação do roteiro com o filme
concluído, apontando suas diferenças. O crítico admite que algumas
questões controvertidas ainda permanecem sem resposta. Mesmo
assim, o simples fato de alguém colocá-las em discussão já faz deste
um livro imperdível. Para os que tiveram a chance de assistir ao filme —
e para os que ainda irão assisti-lo.
Sobre o
autor
David Robinson é crítico de
cinema, historiador das artes performáticas populares e diretor do
Festival de Cinema Mudo de Pordenone.