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Uma poética de romance
Matéria de carpintaria
Autran Dourado
Ensaio   232 páginas
ISBN: 853251023X


Este livro cumpre uma missão rara e difícil: a de escrever sobre o ato de escrever, mas de maneira particular, que revele os segredos, os truques, a invenção e as aflições do fazer poético. Essa tarefa, Autran Dourado considera fundamental, não apenas como contraponto ao trabalho acadêmico dos críticos, mas, especialmente, para a formação dos jovens escritores brasileiros. O fazer poético — que ganha muito mais força se narrado pelo próprio autor — é escasso entre os escritores nacionais. Autran Dourado cita exemplos pioneiros como José de Alencar, Manoel Bandeira e Mário de Andrade.

Os "bastidores" dos romances de Autran Dourado demonstram, já em sua narrativa, quanto a exposição sobre o fazer literário é importante para a formação do escritor e para a própria literatura. Autran surpreende até os leigos com a arquitetura sofisticada de alguns romances, como O risco do bordado, por exemplo. A obra é dissecada em sua essência de "livro desmontável", estruturado em capítulos-painéis, cuja ordem de leitura pode ser alterada, sem prejuízo da qualidade do romance. Ele observa que esta estrutura é antiga na literatura brasileira. Está presente também em Vidas secas, de Graciliano Ramos, embora só muito mais tarde tenha se popularizado através do sucesso internacional de O jogo da amarelinha, de Júlio Cortázar, no qual o autor sugeria várias seqüências de leituras possíveis do romance.

Na segunda parte, intitulada Matéria de carpintaria, Autran Dourado fala sobre sua prática literária e tece comentários sobre a feitura de um texto. O autor é generoso ao detalhar sua carpintaria: as fontes de inspiração, a elaboração de cada personagem, os impasses e as soluções vivenciadas em cada um de seus romances. A riqueza da poética de Autran Dourado não apenas fala de si, mas de outros grandes escritores brasileiros como José de Alencar, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Mário de Andrade e muitos outros estrangeiros, do fazer poético de cada um, da origem do encanto dos personagens e das tramas de cada história.

Sobre o autor

Waldomiro Autran Dourado nasceu em Patos de Minas, Minas Gerais, em 1926. É casado e mora há mais de 40 anos no Rio de Janeiro. Tem obras traduzidas para vários idiomas; já recebeu 8 prêmios no Brasil e, na Alemanha, o prêmio Goethe de Literatura. A Rocco está reeditando as obras selecionadas e revistas pelo autor, entre romances, contos e ensaios. Até agora, foram relançados: A serviço del-Rei, Ópera dos mortos, Um artista aprendiz, Novelário de Donga Novais, A barca dos homens, O risco do bordado e Os sinos da agonia. Este ano, será lançado o inédito Gaiola aberta, com memórias políticas e pessoais dos tempos em que trabalhou com Juscelino Kubitscheck, no governo de Minas e na Presidência da República.

 

As capas das reedições da obra do autor são feitas especialmente pelo gravurista Ciro Fernandes




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