Em fevereiro de 1999, a revista Time
espantou seus leitores ao anunciar na sua seção de Ciência e
Tecnologia um projeto sobre a construção de um gigantesco relógio,
concebido para durar pelos próximos dez mil anos. Mais do que um
mero relógio, ele deveria ser um monumento, plantado num lugar
estratégico, como o alto de uma montanha ou no centro de um
deserto. O cérebro por trás dessa idéia excêntrica era Danny Hillis, um
dos mais famosos engenheiros do Vale do Silício e pai dos chamados
supercomputadores. No livro O relógio do longo agora: tempo e
responsabilidade, Stewart Brand revela que este megaprojeto
pretende ser apenas o símbolo mais concreto de uma nova maneira
de pensar o tempo, de encarar nossa relação com o passado, o
presente e o futuro.
Reunidos na Long
Now Foundation (www.longnow.org), da qual fazem parte
Brand, Hillis e nomes como o compositor Brian Eno e o editor da
revista Wired, Kevin Kelly, um grupo de idealistas está
empenhado em provar que precisamos parar de pensar no "agora",
no presente, em termos de cinco, dez ou quinze anos. Apesar de se
sentirem à vontade no mundo da Internet, da nova economia e da
novíssima tecnologia, os integrantes dessa fundação têm a coragem
de questionar a lei básica destes novos tempos: "quanto mais
rápido, melhor, será?", eles se perguntam. O relógio do longo
agora é o seu manifesto.
Brand
oferece novas reflexões sobre problemas como a corrida desenfreada
em busca de novas tecnologias que se tornam obsoletas com rapidez
cada vez maior. Com antigos softwares, são descartadas também
milhões de informações que não podem mais ser acessadas.
Paradoxalmente, um incunábulo da Idade Média guardado em alguma
biblioteca está em maior segurança do que dados registrados em
computadores dos anos 60 ou 70, hoje inacessíveis. O modo como
indivíduos, ONGs e governos consideram questões como ecologia,
tecnologia e economia, é completamente transformado a partir do
momento que se adota a perspectiva de um "tempo profundo",
medido não em meses e anos, mas em séculos e milênios.
Sobre o
autor
Stewart Brand, presidente da Long Now
Foundation e diretor da Global Business Network, é editor
do Whole Earth Catalog. Membro do Santa Fe Institute
– conhecido centro de estudos sobre as ciências da complexidade – e
da Eletronic Frontier Foundation. Ele é autor de How
buildings learn: What happens after they are built (1994), The
Media Lab: Inventing the future at MIT (1987) e Two
cybernetic frontiers (1974), primeiro livro a usar a expressão
"computador pessoal".