As grandes empresas estão perdendo
participação de mercado para as menores, pois suas estruturas
corporativas foram paralisadas por uma poderosa casta entronizada
nos níveis intermediários: os gerentes. A sobrevivência dos
gigantescos conglomerados depende da extinção de parte dessa
casta e da busca de um modelo similar ao das pequenas companhias,
onde o patrão lida diretamente com os clientes. Na nova empresa, as
pessoas deixam de organizar as tarefas e passam a
realizar as tarefas. Esta é a opinião de Richard Koch e Ian
Godden, apresentada no livro Gerenciar sem gerência.
Segundo os autores, a reengenharia, o
downsizing e ideologias como a do empowerment não
funcionam mais. E eles reconhecem as dificuldades da implantação
de sua proposta, pois toda a estrutura atual das grandes empresas
está baseada nos gerentes intermediários. A saída não seria a
extinção total dos gerentes, mas um novo tipo de gerência. Como o
que Akio Morita fez na Sony, Galvin, na Motorola e Bill Gates, na
Microsoft.
Para funcionar o
gerenciamento sem gerência, é preciso mobilizar seis novas forças: o
poder dos consumidores, da tecnologia da informação, dos
investidores, dos mercados globais, da simplicidade e da liderança. O
século XXI promete ser a era das supercorporações, com estruturas
simples, operação padronizada em todo o mundo e sem escritórios
centrais. O controle será exercido pelos consumidores, pela
tecnologia da informação e por superlíderes – não mais por gerentes.
Os autores explicam: "Toda grande
empresa tem centenas de pessoas cujo principal papel é gerenciar
processos internos, e cujo valor para os clientes e proprietários é
desprezível ou até mesmo negativo. É este tipo de gerência, inclusive
seu pessoal de apoio, a origem dos problemas; e a erradicação
sistemática dessa gerência e da mentalidade que a sustenta é a
chave para o renascimento das grandes corporações."
O maior desafio para os empresários e o governo,
neste modelo de administração, é evitar que o desemprego aumente –
desta vez não de operários, mas de executivos.
Sobre os
autores
Richard Koch cursou MBA na Wharton School, é
fundador e dirigente da consultoria Odyssey e trabalhou na LEK
Partnership, Bain & Co. e no Boston Consoulting Group. Participa
de conselhos de administração de diversas empresas
norte-americanas e européias e é autor de vários livros de
negócios.
Ian Godden, MBA por Stanford, é sócio da
Booz-Allen & Hamilton. Trabalhou em diversos setores na British
Petroleum (BP) e fundou a consultoria OC&C.