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Febre de bola
Nick Hornby
Relato   248 páginas
Tradução: Paulo Reis
ISBN: 8532511864


Futebol é coisa séria, não importa o quanto alguns insistam em dizer o contrário. Também ignore quem repita sempre que é apenas um jogo. Não é. Se fosse, não seria futebol. Alguns sabem disso. Nick Hornby é um deles. O autor de Um grande garoto e Alta fidelidade agora oferece Febre de bola. Ele mesmo lembra que livros de futebol existem aos montes. Mas este, se pararmos para pensar, não é sobre futebol, necessariamente.

Ele trata muito mais do torcedor. Por essa figura - o torcedor - não se entenda aquele que fica contente quando descobre pelo porteiro do prédio que seu time ganhou. O torcedor, segundo Hornby, é o cara que sofre, rumina cada derrota, cada cruzamento por trás do gol e passe errado de seu time. Aquele que se irrita profundamente com as campanhas patéticas da equipe, mas que ainda assim não consegue ficar sem assistir aos jogos. É mais forte que ele. O futebol, para este torcedor, é mais forte que tudo.

Torcedor fanático do Arsenal, Nick Hornby admite que sua relação com a equipe é obsessiva. E assim ele vai lembrando da sua vida de acordo com várias partidas que viu. A coisa é tão séria que Hornby chegou a acreditar que a sorte de sua vida variava de acordo com as campanhas do Arsenal. Quando o time ia bem, as coisas davam certo para ele. O problema é quando a equipe ia mal. E olha que, nos últimos 30 anos, o Arsenal teve muito, mas muito mais baixos do que altos.

Enquanto se lê Febre de bola a identificação com o autor é comum. Não importa que ele seja freqüentador assíduo do estádio de Highbury (onde o Arsenal joga suas partidas) e você passe seu tempo sofrendo no Maracanã ou no Beira-Rio. A raiva, a tristeza, a frustração e a indignação pela perda de um campeonato numa final contra um time da terceira divisão (aconteceu com o Arsenal) é igual em Wembley e no Morumbi.

Febre de bola vale a pena por, no mínimo, dois motivos. O primeiro deles, claro, é a qualidade do texto do autor. O segundo é que, como informa Hornby na introdução, "este livro é para torcedores como nós e para quem tiver curiosidade de saber como é a nossa vida". Portanto, Febre de bola é perfeito para se passar o tempo durante uma semana, esperando o jogo do próximo domingo. Nesse caso, marque a página em que você parou e vá assistir à partida. O futebol vem sempre em primeiro lugar: você e Nick Hornby sabem disso.

Sobre o autor

Nick Hornby nasceu em 1957 e trabalhava como professor antes de se tornar escritor em tempo integral. Febre de bola, livro de estréia escrito em 1992, e Alta Fidelidade (1995) obtiveram sucesso absoluto de público e de crítica. Um grande garoto (1998), retrato sutil e preciso do homem contemporâneo, revelou um Nick menos sardônico, mas nem por isso menos instigante. O filme Febre de bola, com roteiro de Hornby, foi lançado em 1997. O autor mora na Zona Norte de Londres.




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