Futebol é coisa séria,
não importa o quanto alguns insistam em dizer o
contrário. Também ignore quem repita sempre que
é apenas um jogo. Não é. Se fosse, não
seria futebol. Alguns sabem disso. Nick Hornby é um deles. O
autor de Um grande garoto e Alta fidelidade agora
oferece Febre de bola. Ele mesmo lembra que livros de futebol
existem aos montes. Mas este, se pararmos para pensar, não
é sobre futebol, necessariamente.
Ele trata muito mais do torcedor. Por essa figura -
o torcedor - não se entenda aquele que fica contente quando
descobre pelo porteiro do prédio que seu time ganhou. O
torcedor, segundo Hornby, é o cara que sofre, rumina cada
derrota, cada cruzamento por trás do gol e passe errado de
seu time. Aquele que se irrita profundamente com as campanhas
patéticas da equipe, mas que ainda assim não
consegue ficar sem assistir aos jogos. É mais forte que ele. O
futebol, para este torcedor, é mais forte que tudo.
Torcedor fanático do Arsenal, Nick
Hornby admite que sua relação com a equipe é
obsessiva. E assim ele vai lembrando da sua vida de acordo com
várias partidas que viu. A coisa é tão
séria que Hornby chegou a acreditar que a sorte de sua vida
variava de acordo com as campanhas do Arsenal. Quando o time ia
bem, as coisas davam certo para ele. O problema é quando a
equipe ia mal. E olha que, nos últimos 30 anos, o Arsenal teve
muito, mas muito mais baixos do que altos.
Enquanto se lê Febre de bola a
identificação com o autor é comum. Não
importa que ele seja freqüentador assíduo do
estádio de Highbury (onde o Arsenal joga suas partidas) e
você passe seu tempo sofrendo no Maracanã ou no
Beira-Rio. A raiva, a tristeza, a frustração e a
indignação pela perda de um campeonato numa final
contra um time da terceira divisão (aconteceu com o Arsenal)
é igual em Wembley e no Morumbi.
Febre de bola vale a pena por, no
mínimo, dois motivos. O primeiro deles, claro, é a
qualidade do texto do autor. O segundo é que, como informa
Hornby na introdução, "este livro é para
torcedores como nós e para quem tiver curiosidade de saber
como é a nossa vida". Portanto, Febre de bola
é perfeito para se passar o tempo durante uma semana,
esperando o jogo do próximo domingo. Nesse caso, marque a
página em que você parou e vá assistir à
partida. O futebol vem sempre em primeiro lugar: você e Nick
Hornby sabem disso.
Sobre o autor
Nick Hornby nasceu em 1957 e trabalhava
como professor antes de se tornar escritor em tempo integral. Febre
de bola, livro de estréia escrito em 1992, e Alta
Fidelidade (1995) obtiveram sucesso absoluto de
público e de crítica. Um grande garoto (1998),
retrato sutil e preciso do homem contemporâneo, revelou um
Nick menos sardônico, mas nem por isso menos instigante. O
filme Febre de bola, com roteiro de Hornby, foi lançado
em 1997. O autor mora na Zona Norte de Londres.