Quem nunca ouviu falar da lei do menor
esforço, deturpada pela cultura popular como sinônimo de
preguiça e má-vontade para o trabalho? A lei baseia-se
na verdade no Princípio 80/20, descoberto em 1897 pelo
economista italiano Vilfredo Pareto (1848-1923), segundo o qual 80%
do que uma pessoa realiza no trabalho vêm de 20% do tempo
gasto nesta realização. Logo, 80% do esforço
consumido para todas as finalidades práticas são
irrelevantes. Uma constatação surpreendente!
No século XIX, Pareto comprovou que a
maioria da renda e das riquezas ia para uma minoria de pessoas.
Havia portanto uma forte relação matemática
entre a proporção de pessoas e a renda recebida por
este grupo. Se 20% recebiam 80% da riqueza, podia-se prever que
10% teriam 65% da riqueza e 5% ficariam com 50%.
Mais tarde, em 1949, o professor de filologia de
Harvard George K. Zipf descobriu o popular Princípio do
menor esforço, segundo o qual as pessoas tendiam a minimizar
seus trabalhos de modo que 20% ou 30% de quaisquer recursos
responderiam por 70% ou 80% do resultado. Zipf usou
estatísticas populacionais, livros de filologia e comportamentos
industriais para mostrar a recorrência constante desse
padrão de desequilíbrio. Na verdade, Zipf reelaborou o
princípio descoberto por Pareto.
É este caminho das sucessivas
reinterpretações do princípio de Pareto que o
autor Richard Koch percorre em O princípio 80/20. Ele
relaciona todos os pesquisadores que reafirmaram ao longo do
século XX a sua importância e critica a expectativa
existente na vida cotidiana e na economia de equilíbrio entre
causas e resultados.
Koch ensina como
o Princípio 80/20 pode ser muito mais produtivo. Por exemplo,
se o empresário constata que apenas 20% dos clientes
garantem 80% do lucro de sua empresa, para que manter os outros
80% de clientes pouco lucrativos? Para o autor, compreender o
Princípio 80/20 é conquistar um amplo poder de
discernimento do que ocorre à sua volta. O Princípio
80/20 pode ainda melhorar a vida cotidiana de todas as pessoas, de
cada governo, que aumentaria os benefícios para seus
cidadãos, enquanto as organizações sem fins
lucrativos poderiam se tornar ainda mais úteis. Tudo isso com
idêntico esforço. Os recursos com efeitos escassos
simplesmente não devem ser mais usados ou reduzidos e
é por isso que o Princípio 80/20 é a base do
programa Total Quality Control, utilizado em empresas de todo o
mundo.
O princípio atua ainda no
campo psíquico, ajudando a melhorar a auto-estima das
pessoas. Koch constata que o investimento aumenta a riqueza
pessoal e não a renda, logo todos devem investir, ainda que
pequena parte de sua renda. O princípio 80/20
é portanto uma receita política, econômica e de
felicidade pessoal.
Sobre o autor
Richard Koch
é um bem-sucedido empresário, investidor e consultor
de estratégias, que baseia seu próprio sucesso no
Princípio 80/20. Ele tem auxiliado empresas muito lucrativas
nos ramos de consultoria, hotelaria e restaurantes. É autor e
co-autor de oito livros, entre os quais Gerenciar sem
gerência, publicado pela Rocco.