O número de adolescentes
grávidas aumenta a cada ano. O fenômeno não
é exclusivo do Brasil, mas do mundo, e tampouco recente,
muitas avós e bisavós de hoje tiveram filhos bem
jovens. E as estatísticas comprovam. Nos Estados Unidos,
onde são maiores os índices, um milhão de
adolescentes engravida a cada ano; e no Brasil, de acordo com uma
pesquisa nacional sobre demografia e saúde de 1996, entre
as adolescente de 15 a 19 anos entrevistadas, 18% já haviam
ficado grávidas pelo menos uma vez. Por quê?
A pergunta é respondida no livro
Pronta para voar pela psicanalista Diana Dadoorian, que
descarta a falta de informação como motivo da
maternidade prematura. Para a autora, a gravidez é desejada
por estas jovens por várias razões, entre as quais
carência afetiva, dificuldades no relacionamento familiar,
necessidade de amparar alguém e ser amparada, desejo de
formar uma família e ser mulher. No entanto, a questão
vem sendo tratada de forma simplista, os enfoques predominantes
apontam esta gravidez como sendo indesejada e decorrente da
desinformação sexual. Por este caminho, assinala a
autora, é impossível compreender as causas que
levam as adolescentes a engravidar.
Diana observa que a gravidez na
adolescência envolve, sobretudo, aspectos emocionais,
culturais e sociais. Há dois fatores principais que
entrelaçam gravidez e adolescência: os biológicos
e os não-biológicos, nos quais se inserem os fatores
culturais e os psicológicos. O primeiro ocorre com todas as
jovens indistintamente. As mudanças ocorridas no corpo nesta
faixa etária levam ao interesse sexual e ao impulso de testar a
fertilidade (gravidez hormonal). Já o segundo fator é
que irá determinar o destino dessa gravidez.
Nas classes populares é comum a
gravidez precoce. Ser mãe equivale a ser mulher, e ter um filho
restaura o narcisismo infantil abandonado. A carência relacional
e de afeto também pode levar as jovens a engravidar,
fórmula mágica para preencher o vazio emocional.
Muitas adolescentes confirmam, inclusive, que não usaram
contraceptivos por opção. E a maioria condena o aborto,
mais comum na classe média, que prioriza estudos e futuro
profissional.
Diana traça um
perfil dos adolescentes em geral desde a antiga Grécia aos
dias de hoje, falando sobre a sexualidade, família,
educação e feminilidade, além de abordar a
questão em vários países. E com base em
pesquisas e entrevistas, concluiu que uma das saídas do
problema está dentro de casa. Como a maioria das jovens
entrevistadas apresenta problemas de relacionamento com os seus
pais, um das chaves para evitar uma gravidez precoce está
na família, que tem papel fundamental na
formação da identidade do indivíduo. "Os
pais devem buscar sempre o diálogo."
Sobre a autora
Diana Dadoorian nasceu em 1964, no Rio de
Janeiro, é doutoranda em Psicologia clínica e
Psicopatologia pela Unviersidade Paris-VIII/França, mestre em
Psicologia clínica pela PUC/Rio e especializada em
Psicanálise pela Universidade Santa Úrsula.
Psicanalista, ela trabalha em seu consultório com terapia e
é professora de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida.
Todas as suas teses versam sobre gravidez na
adolescência.