O delegado Tostes está prestes a se aposentar. Os dias
que faltam são poucos, mas três crimes vão
atrapalhar seus planos. Por muito tempo o assassino ficará
à solta, apesar de o policial saber desde o início das
investigações seu nome e os motivos que o levaram a
matar Lisa Gerhardini, a Mona, o primeiro homicídio da
série. É que o delegado tem lá as suas teses
"filosófico-científicas". Ele está
convencido de que o criminoso solto nunca é um sujeito feliz.
"Tal situação implica negar-lhe o mais elevado dos
direitos: o direito de estar preso."
Mas assassinato é o que menos importa
nesse romance pseudopolicial, como define o autor.
Réquiem para Monalisa é uma crônica
sobre personagens ímpares e acontecimentos
estapafúrdios ocorridos em pleno fim do século XX no
interior de Minas Gerais. Sobretudo, a respeito dos métodos
investigativos pouco convencionais de Tostes. É que essa
região — explica Antenor Pimenta, preparando o espírito
do leitor, no prefácio — guarda cidades que ainda esperam o
retorno do venturoso Dom Sebastião.
Uma vez situado, o leitor deve sentir-se puxando
uma cadeira na varanda e se preparando para ouvir alguns
causos. Parte, aliás, verídicos, afirma Antenor
Pimenta. Assim como reais são os mirabolantes nomes dos
personagens do romance: Saint-Clair Karpóforo, Mino
Temponi, Lisa Gerhardini, Antonioni, Jesus Cristo, Miguéis
Nuno Velho.
Não à
toa, o narrador se comporta como um prosador, interagindo com o
leitor. E a prosa de Réquiem para Monalisa inicia com
o assassinato de Mona. Quem, naquela cidade, teria motivos para
eliminar a ex-chacrete Luluzinha Au-Au? Leão Ballester, o
apaixonado? Carlota Alexina, a mulher traída? Mino Temponi,
o ex-noivo trocado pelas carícias de um cão?
De verdade e de verdade, como repete o
flatulento delegado Tostes, muitos são os suspeitos, mas todos
com álibis perfeitos. Por isso, o nosso narrador resolve seguir
os métodos pouco ortodoxos do delegado e deixar o
assassino caminhar pelas próprias pernas para o cadafalso.
Enquanto o desfecho se aproxima, a narrativa trata de outro assunto:
apresentar ao leitor uma gama de personagens sui generis e
suas trajetórias de amor, lirismo, sedução,
ódio e vingança. Casos perdidos na
tradição oral mineira e que acabam traduzidos em
romance.
Nesse terceiro romance,
Antenor Pimenta reafirma a sua verve para a boa prosa e confirma o
dom de verter as histórias regionais em literatura de qualidade.
Sobre
o autor
Antenor Pimenta nasceu em 1960 em São
João Evangelista, Minas Gerais. Engenheiro de
formação, ele ocupa o cargo de gerente de uma
agência da Caixa Econômica Federal em Belo Horizonte.
Estreou na literatura em 1995, com A estrada de Salamanca,
e, em 1998, lançou Último Aurélio ou o
cadáver adiado, ambos editados pela Rocco. Este
último título o consolidou como um dos grandes
talentos da atualidade.