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Réquiem para Monalisa
Antenor Pimenta
Romance   192 páginas
ISBN: 8532511767


O delegado Tostes está prestes a se aposentar. Os dias que faltam são poucos, mas três crimes vão atrapalhar seus planos. Por muito tempo o assassino ficará à solta, apesar de o policial saber desde o início das investigações seu nome e os motivos que o levaram a matar Lisa Gerhardini, a Mona, o primeiro homicídio da série. É que o delegado tem lá as suas teses "filosófico-científicas". Ele está convencido de que o criminoso solto nunca é um sujeito feliz. "Tal situação implica negar-lhe o mais elevado dos direitos: o direito de estar preso."

Mas assassinato é o que menos importa nesse romance pseudopolicial, como define o autor. Réquiem para Monalisa é uma crônica sobre personagens ímpares e acontecimentos estapafúrdios ocorridos em pleno fim do século XX no interior de Minas Gerais. Sobretudo, a respeito dos métodos investigativos pouco convencionais de Tostes. É que essa região — explica Antenor Pimenta, preparando o espírito do leitor, no prefácio — guarda cidades que ainda esperam o retorno do venturoso Dom Sebastião.

Uma vez situado, o leitor deve sentir-se puxando uma cadeira na varanda e se preparando para ouvir alguns causos. Parte, aliás, verídicos, afirma Antenor Pimenta. Assim como reais são os mirabolantes nomes dos personagens do romance: Saint-Clair Karpóforo, Mino Temponi, Lisa Gerhardini, Antonioni, Jesus Cristo, Miguéis Nuno Velho.

Não à toa, o narrador se comporta como um prosador, interagindo com o leitor. E a prosa de Réquiem para Monalisa inicia com o assassinato de Mona. Quem, naquela cidade, teria motivos para eliminar a ex-chacrete Luluzinha Au-Au? Leão Ballester, o apaixonado? Carlota Alexina, a mulher traída? Mino Temponi, o ex-noivo trocado pelas carícias de um cão?

De verdade e de verdade, como repete o flatulento delegado Tostes, muitos são os suspeitos, mas todos com álibis perfeitos. Por isso, o nosso narrador resolve seguir os métodos pouco ortodoxos do delegado e deixar o assassino caminhar pelas próprias pernas para o cadafalso. Enquanto o desfecho se aproxima, a narrativa trata de outro assunto: apresentar ao leitor uma gama de personagens sui generis e suas trajetórias de amor, lirismo, sedução, ódio e vingança. Casos perdidos na tradição oral mineira e que acabam traduzidos em romance.

Nesse terceiro romance, Antenor Pimenta reafirma a sua verve para a boa prosa e confirma o dom de verter as histórias regionais em literatura de qualidade.

Sobre o autor

Antenor Pimenta nasceu em 1960 em São João Evangelista, Minas Gerais. Engenheiro de formação, ele ocupa o cargo de gerente de uma agência da Caixa Econômica Federal em Belo Horizonte. Estreou na literatura em 1995, com A estrada de Salamanca, e, em 1998, lançou Último Aurélio ou o cadáver adiado, ambos editados pela Rocco. Este último título o consolidou como um dos grandes talentos da atualidade.




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