As personagens de Síndrome de
quimera, a novela de Max Mallmann, são absolutamente
normais, dessas que o leitor encontra na rua, no ponto de
ônibus, no cinema, nas festas, no estádio de futebol, no
trabalho. Mas também são um pouco diferentes,
"quase nada". O narrador Viktor sofre de um mal particular:
enrodilhada ao seu coração, há uma serpente,
com um guizo na ponta da cauda, que lhe causa apertos e
angústias. Já seu melhor amigo Bruno - com o qual
Viktor resolve abrir um café-livraria chamado A Quimera -
costuma desenroscar a tampa da cabeça, retirar o
cérebro e o colocar numa bacia para descansar. Depois bebe
cerveja (metade bebe, metade derrama em cima do cérebro) e
assim alivia a tensão do dia-a-dia. Entre livros de Stevenson,
Borges, Kafka e Mário Quintana, eles vão levando a
vida numa Porto Alegre contemporânea e
fantástica.
Entram em contato
com pessoas tão "normais" quanto eles, mas que
possuem pequenas manias e anomalias: o freguês que precisa
recarregar a bateria pondo o dedo no soquete de luz; a moça
feia cuja pele é de fibra de celulose e por isso se alimenta de
livros; o amigo que se transformara numa esponja humana cheia de
água salgada e algas; e a linda mulher cujos olhos brilhavam
no escuro como um casal de vagalumes… Tudo corre bem até
que Viktor é seqüestrado por asseclas do Senhor das
Inclemências e descobre um terrível segredo sobre seu
passado.
Um dos expoentes da nova
geração de escritores gaúchos, Max Mallmann
conseguiu uma química rara em Síndrome de
quimera: misturou realismo mágico com o melhor
do suspense, amarrados em diálogos cortantes. Além
disso, em cada página do livro, escrito em deliciosa linguagem
coloquial e metafórica (com rasgos de erudição),
perpassa um humor fino, muito sutil. O autor nos convida a rir de
nós mesmos, dos nossos medos e desejos e a perceber que
não existe apenas uma única realidade.
Sobre o
autor
Max Mallmann nasceu em 1968, em Porto Alegre
(RS). Antes de Síndrome de quimera, o primeiro
publicado pela Rocco, escreveu outros dois livros lançados por
editoras gaúchas: Confissão do minotauro (1989)
e Mundo bizarro (1996). Este último recebeu o
prêmio Açorianos, concedido pela Secretaria de Cultura
de Porto Alegre. Atualmente, mora no Rio de Janeiro e trabalha como
roteirista da TV Globo.