Nem sempre as pessoas conseguem enxergar
o que está bem à frente.
Ellen Gulden, 24 anos, está na cadeia
acusada de matar a mãe. Ela jura inocência, apesar de ter
tido vontade de cometer o crime. Assim começa o comovente
romance Um amor verdadeiro, de Anna Quindlen, adaptado
recentemente para o cinema e estrelado por William Hurt, Meryl
Streep e Renee Zellweger, com o mesmo título. A complicada
relação de Ellen com a mãe, Kate Gulden - em sua
visão, uma passiva dona-de-casa - e, principalmente, com o pai,
o brilhante professor de Literatura Inglesa George Gulden, é
pano de fundo para uma trama que explora as questões mais
angustiantes da alma humana.
A vida de
Ellen Gulden estava naquela fase em que tudo parece dar certo. Sua
carreira como repórter de uma grande revista em Nova York
era promissora; ela morava num bom apartamento e tinha um
sólido namoro com um jovem e bem-sucedido advogado. De
repente, tudo isso, que era tão importante para ela,
desvaneceu-se no ar. Ellen viu-se obrigada a voltar para a casa dos
pais e cuidar da mãe, nos últimos e dolorosos meses de
um câncer devastador.
A
convivência diária com a mãe à beira da
morte faz Ellen encarar de frente o sentido de sua vida. Ambiciosa,
crítica e impiedosa, ela nunca deixou os sentimentos
interferirem em seus objetivos - e aprendeu desde cedo a ser vitoriosa.
No entanto, lá está Ellen tendo de cozinhar para o
grupo de outras pacatas donas-de-casa do qual a mãe era o
nome principal e tendo de levar adiante a tradição de
fazer a mais bela árvore de Natal da cidade. São tarefas
que Kate sempre executou com meticulosa perfeição e
que Ellen despreza totalmente.
Pior:
desta vez, ela está destinada ao fracasso. Não
há tempo desta filha pouco amorosa, que nunca escondeu a
preferência pelo pai, salvar a vida de Kate. À medida
que a doença vai avançando, mais e mais crescem a
exigência e a pressão sobre Ellen. A mãe afunda
aos poucos num mundo de tormentos em que a morfina é o
único alívio. Alguns comprimidos a mais podem livrar
Kate para sempre das dores - mas quem poderia executar a
terrível tarefa?
Sobre a autora
Anna Quindlen foi
repórter e colunista do New York Times de 1977 a
1994. Um amor verdadeiro consagrou-a como uma das
melhores escritoras de ficção dos Estados Unidos da
atualidade. Vencedora do Prêmio Pulitzer, Anna é
admirada por sua inteligência, senso de humor e
percepção da realidade. Escreveu Object
Lessons, Black and Blue: a novel, Living Out Loud
e Thinking Out Loud (os dois últimos são de
não-ficção). Ela vive em Nova Jersey.