A autora do clássico Mulheres que correm com os lobos,
que há 14 anos ganha reimpressões sucessivas pela Rocco, está de
volta com este pequeno livro sobre a grandeza e a sabedoria da
terceira idade. Em A ciranda das mulheres sábias, a
psicanalista e poetisa Clarissa Pinkola Estés reverencia a maturidade
feminina e faz uma comovente e profunda homenagem àquelas
mulheres que souberam acumular sabedoria ao longo de suas
existências. O livro tem uma linguagem metafórica, que se assemelha
às antigas histórias contadas de mães para filhas, e chega às livrarias
na última semana de maio.
Clarissa Pinkola Estés parte de
um doce convite à leitora para que se acomode ao seu lado e
deguste com ela a bebida que foi reservada para "uma situação
especial", a fim de que possam conversar sobre "assuntos que
importam de verdade" a duas mulheres, com a garantia de que "aqui
sua alma está em segurança". Seduzida por uma linguagem terna,
emocionante e poderosa, a autora apresenta os encantos deste
"arquétipo misterioso e irresistível da mulher sábia, do qual a avó é
uma representação simbólica" e que "não chega de repente,
perfeitamente formado e se amolda como uma capa sobre os ombros
de uma mulher de determinada idade".
O aspecto mais
sedutor do livro reside, justamente, na representação simbólica
contida nas avós. Das matriarcas da mitologia às avós dos contos de
fadas, passando por aquelas anônimas de suas vivências
profissionais, a autora chega às avós de suas tradições familiares,
descrevendo de forma magnífica a chegada à América das ancestrais
que passaram a fazer parte de sua vida familiar, aquelas "quatro
velhas refugiadas que saltaram de enormes trens pretos para o
nevoeiro noturno na plataforma onde nós as aguardávamos com
grande expectativa".
As páginas que descrevem a riqueza
armazenada pela autora através da simples existência dessas quatro
velhas da família que "abriram uma porta profunda na criança que
aos poucos estava sendo forçada a se calcificar" são repletas de
grande ternura e muita força. Elas representam as avós arquetípicas
de todos nós, que sempre identificam os caminhos do amor e da
compaixão e que sabem utilizar o poder de suas ferramentas mágicas
para a transformação: a mesa da cozinha, a luz do lampião, a música,
a dança, a intuição, a sopa, o chá, a história, a mão amorosa, o senso
de humor malicioso e muitas outras.
Merece ainda destaque
neste lançamento da Rocco, o paralelo traçado entre a árvore e a
mulher. Assim como aquela abriga "uma árvore oculta" em suas
raízes, esta possui "uma mulher oculta que cuida do estopim dourado,
aquela energia brilhante, aquela fonte profunda que nunca será
extinta". Ao final, as nove preces de gratidão – por todas as idosas do
mundo, pelas mulheres mais velhas matreiras, pelas avós nas
cozinhas, pelas tias perspicazes, pelas filhas que estão aprendendo,
por todas as filhas e velhas – representam um perfeito arremate ao
prazer da leitura destas 120 páginas plenas de luz, melodia, emoção e
encantamento.