Segundo a crítica Helena Silveira, Vianinha foi
"o menino que saiu do grande laboratório que foi o
Teatro de Arena, para dar seu recado político e existencial
como autor e ator que jamais traiu sua formação, suas
idéias e seus ideais". Para contar um pouco dessa
carreira e do homem por trás dela, o jornalista Dênis de
Moraes escreveu VIANINHA, CÚMPLICE DA
PAIXÃO, originalmente publicado em 1991 e que agora
ganha nova edição, revista e ampliada, com um encarte
fotográfico de vinte e quatro páginas. Mas o livro
é muito mais que uma simples reedição. Com a
abertura de uma série de arquivos — inclusive do SNI —
Dênis teve acesso a várias fontes novas e praticamente
o reconstruiu.
O autor consultou antigas entrevistas,
arquivos públicos e particulares, tudo para conseguir captar a
personalidade irrequieta de Vianninha e a colocar à
disposição dos leitores em cerca quatrocentas
páginas. Dênis de Moraes destaca a obra de Vianinha, e
sua capacidade de passar informações às
escondidas, nas entrelinhas e nas cenas rápidas. Dênis
lembra, ainda, que Oduvaldo Vianna Filho implantou a
comédia de costumes na televisão brasileira, sempre fiel
à cultura popular, mesmo tendo vivendo os piores dias da
repressão política da ditadura.
VIANINHA, CÚMPLICE DA PAIXÃO
procura caracterizar o movimento teatral ligado a Oduvaldo Vianna
Filho — a valorização do ator, a recusa do ilusionismo e
figurinos demonstrativos de classe social —, mas sem esquecer o lado
pessoal. As aventuras e desventuras de sua militância
política. Com essa reedição, o autor completa a
trilogia de biografias que fez de figuras da esquerda brasileira:
Graciliano Ramos (O velho Graça) e Henfil (O
rebelde do traço). "São homens importantes da
esquerda, isso os ligou a mim", explicou Dênis numa
entrevista à imprensa.
Dênis
de Moraes, carioca de Laranjeiras, nasceu em 26 de agosto de 1954.
É professor do Programa de
Pós-Graduação em Comunicação,
Imagem e Informação da Universidade Federal
Fluminense, doutor em Comunicação e Cultura pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-doutor em
Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Jornalista e
escritor, publicou, entre outros livros, Prestes: lutas e
autocríticas (1982), O velho Graça: uma
biografia de Graciliano Ramos (1992), O imaginário
vigiado: a imprensa comunista e o realismo socialista no Brasil
(1994) e O rebelde do traço: a vida de Henfil (1996).
"Vianinha, cúmplice da
paixão é uma excelente análise de uma
personalidade fascinante, de uma época emblemática,
de uma proposta cultural de transformação do
Brasil." — Carlos Nelson Coutinho
"Dênis de Moraes consegue nos transmitir, com rara
precisão, tudo o que Vianinha representou no entendimento de
que a luta pela igualdade material não pode sufocar a liberdade
de criação individual. Tudo o que ele representou, com
extrema paixão, na luta para a consolidação de um
teatro e de uma cultura essencialmente brasileiros." —
Milton Temer
"O livro restitui-nos, na
plenitude, o homem sensível e o intelectual brilhante que foi
Oduvaldo Vianna Filho, sempre disposto a dar o melhor de si
às lutas políticas e culturais de seu tempo." —
Enio Silveira